Opinião/Informação:
O discurso de Virgílio Viana na Alemanha, não é no interior do Amazonas, esconde uma armadilha clara: a continuidade da terceirização da Amazônia para o Terceiro Setor, nesse pacote o nosso Amazonas ainda sem ZEE, mas com a continuidade do engessamento através de RESEX, UC’s, entre outras formas. Interessante que ele critica a a corrupção estatal, mas faz parceria aqui, no Pará e em outros estados do Norte. Ele também comenta sobre a “direita”. Observem nas palavras que o foco é sempre mais financiamento. Segue a estratégia…
- Criação de um “Estado Paralelo” sem voto: ONGs passam a gerir milhões de hectares e dólares, assumindo o papel do Estado. Porém, agem sem auditoria pública e sem terem sido eleitas. Elas não respondem ao povo amazônida, mas sim aos interesses de seus financiadores internacionais.
- A armadilha da “Pobreza Sustentável”: O foco na chamada “restauração pró-pobre” mantém o caboclo e o ribeirinho na eterna subsistência. Em vez de desenvolvimento real (asfalto, internet, água, produção, agroindústria), o amazônida vira um mero “jardineiro da floresta”, recebendo trocados/misérias (Guardião da Floresta, Bolsa Verde) para aliviar a culpa climática da Europa. A pobreza não é resolvida, é apenas subsidiada com miséria.
- A farsa da escuta comunitária: O palestrante se orgulha de ouvir milhares de comunidades de “baixo para cima”. O problema é que, quando o questionário é feito por uma ONG com dinheiro europeu, as soluções refletem a cartilha ambientalista. O ribeirinho quer infraestrutura e produção, mas isso raramente entra nos planos climáticos dessas organizações. Lembro que sua atuação é dentro de UCs, e o caboclo que está fora delas? É um teatro visando só captar recursos…
- A ONG como atravessadora: O discurso critica a lentidão e burocracia dos grandes fundos da ONU. No entanto, as próprias ONGs se tornaram gigantescos e caros intermediários. Empoderamento de verdade é dar independência econômica à população, e não engordar o caixa de quem faz o meio de campo. Até hoje não sabemos quem prestou assistência técnica de milhões nas Unidades de Conservação e que produção originou essa ATER.
Transformar a Amazônia em uma mera “provedora de serviços ecossistêmicos” gerida por ONGs não é solução, é um balcão de negócios. Enquanto a Europa enviar milhões para manter a floresta como um museu intocável, a vida de quem realmente preserva o verde continuará na miséria. Dependência internacional não é desenvolvimento. Veja, abaixo, a voz macia e mais um capítulo do teatro ambiental que nos empobrece. Faltou explicar o crédito de carbono investigado pelo MPF no Projeto Mejuruá, entre outros. A parceria com a SEMA também. O edital que visa ou visava contratar avião por 10 milhões.
THOMAZ RURAL


