Artigo destacando a Bubalinocultura no Amazonas

Artigo publicado no Jornal do Commercio do Amazonas…

Embora menos conhecida pelo grande público, a bubalinocultura consolidou-se como uma atividade de elevado potencial no Brasil. O rebanho nacional supera 1,7 milhão de animais, conforme dados da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM 2023), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e está fortemente concentrado na Região Norte, onde clima, disponibilidade hídrica e extensas áreas de campos naturais oferecem condições favoráveis ao desenvolvimento da espécie. Mais de 60% do rebanho brasileiro de búfalos está concentrado nessa região, com destaque para os estados do Pará, Amapá e Amazonas.

Nesse cenário regional, o Amazonas se destaca como um dos principais polos da bubalinocultura no país, com cerca de 130 mil búfalos, segundo dados do Plano ABC+ Amazonas, estratégia do governo federal para promover uma agropecuária de baixa emissão de carbono, elaborados com base na Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM 2023), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Embora esse número seja muito inferior ao efetivo bovino estadual, a criação de búfalos representa uma atividade estratégica para municípios localizados em áreas de várzea e planícies alagáveis, onde os animais encontram condições naturais especialmente favoráveis ao seu desenvolvimento.

A rusticidade talvez seja a principal característica da espécie. Os búfalos adaptam-se com facilidade às condições climáticas da Amazônia, suportam ambientes úmidos, aproveitam pastagens naturais de menor qualidade e apresentam elevada eficiência produtiva quando manejados corretamente. Essa capacidade reduz custos de produção e amplia a viabilidade econômica da atividade, sobretudo para pequenos e médios produtores. Além disso, são animais reconhecidos pela força e resistência, utilizados tanto na produção de carne e leite quanto em atividades de trabalho e transporte em áreas de difícil acesso na Amazônia. Apesar da aparência imponente, possuem temperamento dócil, o que facilita o manejo.

Ainda no Amazonas, Autazes consolidou-se como a principal referência da bubalinocultura estadual. O município concentra o maior rebanho de búfalos do estado e tornou-se conhecido pelo investimento em genética, reprodução e melhoramento dos animais. Também se destacam municípios como Parintins, Itacoatiara, Careiro da Várzea e outros localizados ao longo das planícies inundáveis dos rios Amazonas, Solimões e Madeira, onde a atividade encontrou condições naturais para prosperar. No município de Parintins, por exemplo, o rebanho já alcançou cerca de 40 mil cabeças no início da década de 1990, segundo registros de entidades locais, evidenciando a importância histórica da bubalinocultura na região.

Mas reduzir a bubalinocultura apenas à criação de animais seria ignorar sua importância econômica. Ao redor dela desenvolve-se uma cadeia produtiva que envolve produção de carne, leite, queijos, manteiga, iogurtes e outros derivados, além da comercialização de matrizes, reprodutores, sêmen, assistência veterinária, transporte de animais, produção de insumos, eventos agropecuários e serviços especializados. Trata-se de um segmento capaz de gerar emprego, renda e oportunidades em diferentes etapas da economia regional. A cadeia produtiva também inclui couro e laticínios e, no Amazonas, a expansão da produção de derivados, a agregação de valor ao leite de búfala e a maior oferta de produtos como muçarela, queijo coalho, ricota, manteiga e doce de leite evidenciam o fortalecimento do mercado regional.

A carne bubalina conquista espaço entre consumidores que buscam cortes mais magros, enquanto o leite de búfala possui maior teor de gordura e proteínas, tornando-se matéria-prima valorizada para produtos de maior valor agregado, como a tradicional muçarela de búfala. Em diversas regiões do país, esses produtos já representam nichos consolidados de mercado. Estudos também apontam que a carne bubalina apresenta menor teor de gordura e perfil nutricional diferenciado, características que reforçam seu potencial de mercado, embora ainda exista resistência cultural ao seu consumo em algumas regiões.

Apesar desse potencial, a atividade ainda enfrenta obstáculos importantes no Amazonas. A baixa industrialização dos derivados, as dificuldades logísticas inerentes às grandes distâncias amazônicas, a limitada assistência técnica e a necessidade de ampliar o acesso a tecnologias de manejo e melhoramento genético continuam restringindo o crescimento do setor. Superar esses desafios significa transformar uma vocação natural em uma atividade ainda mais competitiva. Feiras e eventos do setor, retomados em municípios como Parintins após longos períodos de interrupção, contribuem para a difusão de tecnologias, o melhoramento genético e o fortalecimento da cadeia produtiva.

O Amazonas reúne clima, tradição, conhecimento técnico e condições naturais que poucos lugares do mundo possuem para a criação de búfalos. Transformar esse potencial em desenvolvimento sustentável depende da ampliação dos investimentos, do fortalecimento das políticas públicas, da assistência técnica, do melhoramento genético e da agregação de valor aos produtos da cadeia bubalina. Com planejamento e incentivo à inovação, a bubalinocultura poderá consolidar-se definitivamente como uma das grandes forças do agronegócio amazônico, gerando emprego, renda e novas oportunidades para o interior do estado.

https://jcam.com.br/artigos/bubalinocultura-uma-vocacao-amazonica-a-espera-de-ser-plenamente-reconhecida

Participe do nosso grupo no Whatsapp e seja o primeiro a receber as notícias do blog ThomazRural!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Participe do nosso grupo no Whatsapp e seja o primeiro a receber as notícias do blog ThomazRural!