Opinião/Informação:
Salvei esta matéria de ÀCRÍTICA na área de trabalho, agora faço meu comentário.
A aprovação da LDO de 2027 no Amazonas escancara uma revoltante inversão de prioridades. Enquanto o Judiciário (TJ-AM) e o Ministério Público (MP-AM) garantiram aumentos de repasses, a Defensoria Pública (DPE-AM) – a porta de entrada da Justiça para quem não pode pagar advogado – foi deixada de escanteio. Trata-se de um contrassenso administrativo: o fortalecimento da DPE atuaria na raiz dos conflitos sociais, desafogando drasticamente o trabalho de órgãos muito mais caros ao Estado.
O motivo para essa asfixia, no entanto, é simples e pouca gente tem coragem de admitir: a divisão do orçamento não é guiada pela necessidade social, mas pelo medo.
Nossos parlamentares têm pavor do poder de investigação do MP, das sentenças do TJ e das auditorias do TCE. Da Defensoria, porém, não têm temor algum. Como a instituição “apenas” defende os vulneráveis, não há interesse político em fortalecer quem não representa uma ameaça direta a seus mandatos.
A disparidade dos números comprova esse loteamento covarde. O TJ-AM abocanha 9% da receita, a Assembleia Legislativa reserva para si 4,8%, o MP fica com 3,85% e o TCE com 3,4%. A DPE, que teve seu pedido de modesto reajuste sumariamente ignorado, amargará os mesmos 1,6% de seis anos atrás.
Em síntese: a classe política legisla para defender a própria pele, comprando estabilidade institucional enquanto dá as costas ao povo que os elegeu. Fica a indignação: até quando o Amazonas aceitará calado essa criminosa inversão de prioridades?
THOMAZ RURAL
FONTE: ÀCRÍTICA e COLUNA SIM&NÃO




