Opinião/Informação:
Não sou contra a volta do DER-AM. Pelo contrário, o Amazonas precisa voltar a ter capacidade técnica e operacional para planejar, construir e manter suas rodovias. Mas é preciso dizer uma verdade: de pouco adiantará recriar o DER-AM se o governo que assumir em 2027 continuar terceirizando as decisões da área ambiental para o pensamento de ONGs.
As rodovias, inevitavelmente, passam pelo debate ambiental. Se continuarmos tendo uma política ambiental conduzida por pessoas vindas do universo das ONGs, sem compromisso com o desenvolvimento do interior, o DER-AM poderá existir apenas no papel.
O exemplo atual é evidente. A SEMA está sob o comando de um secretário que chegou prometendo avanços no ZEE, no REDD+, no mercado de crédito de carbono e maior agilidade no licenciamento ambiental. Até agora, porém, nada foi entregue nessas áreas estratégicas.
O Amazonas precisa de uma política ambiental que concilie preservação e desenvolvimento. O interior não pode continuar refém da burocracia, da insegurança jurídica e de promessas que nunca saem do papel.
Recriar o DER-AM pode ser um passo importante. Mas, sem uma mudança na forma de conduzir a política ambiental do estado, continuaremos vendo obras travadas, licenças demoradas e oportunidades perdidas. O Amazonas precisa de infraestrutura, segurança jurídica e decisões tomadas em favor do seu povo, e não de agendas que pouco contribuíram para melhorar a vida de quem vive no interior.
THOMAZ RURAL


