O papo furado na Alemanha, e o caboclo na miséria no interior do Amazonas

Opinião/Informação:

Enquanto o presidente da ONG FAS está na Alemanha com pauta sobre clima e floresta em pé, o interior do Amazonas continua convivendo com pobreza, isolamento e falta de oportunidades. É impossível não fazer algumas perguntas. Depois de tantos anos de recursos internacionais, projetos e conferências, por que o Amazonas ainda apresenta alguns dos piores indicadores sociais do país? Por que tantas comunidades, incluindo as Unidades de Conservação, continuam sem renda digna, infraestrutura e perspectivas de desenvolvimento?

Enquanto dirigentes de ONGs circulam entre conferências internacionais na Europa e em outros países desenvolvidos, milhares de amazonenses continuam sem estradas, sem água, sem energia, sem internet, sem assistência técnica efetiva, sem acesso a mercados e sem oportunidades de crescer produzindo.

A Alemanha e outros países ricos já desmataram grande parte de seus territórios, continuam entre os maiores emissores de gases do efeito estufa e, ao mesmo tempo, financiam projetos na Amazônia que, muitas vezes, parecem priorizar a manutenção da pobreza em nome da conservação.

Também é legítimo perguntar: quais foram os resultados concretos dos milhões de reais administrados pela ONG ao longo dos anos? Quem recebeu os recursos? Qual foi o impacto real na vida das famílias? Até hoje há questionamentos sobre contratos, incluindo 10 milhões que o dirigente disse na CPI das ONGs ter pago de assistência técnica e a efetividade de diversos programas.

O dirigente da ONG que aparece na postagem na Alemanha é contra o asfalto na BR-319, ignora o Zoneamento Ecológico-Econômico e é resistente a projetos de desenvolvimento do interior.

O que mais me entristece é o silêncio de muitas autoridades, inclusive de pessoas que respeito sobre essa ONG. A CPI das ONGs levantou diversas questões que merecem esclarecimentos. Mesmo assim, muitos preferem se calar.

Eu não me calarei.

O Amazonas não pode continuar sendo apenas uma vitrine internacional para discursos ambientais. Nosso povo não pode permanecer pobre para satisfazer narrativas construídas em conferências na Europa. Quem pretende disputar eleições no Amazonas precisa dizer claramente de que lado está: do modelo que mantém o interior dependente e pobre ou de um projeto que una preservação ambiental, produção, renda, infraestrutura e prosperidade para quem vive na floresta.

A floresta precisa ser preservada. Mas o povo do Amazonas precisa prosperar. E isso deve vir antes de qualquer aplauso em conferências internacionais.

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THOMAZ RURAL

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