Opinião/Informação:
Penso que o pau que dá em Chico também tem que valer para Francisco. A recente recomendação do MPF para derrubar o Decreto do Sul do Amazonas recorre a decisões internacionais, mas nunca vi o MPF recomendar, com base na Política Nacional de Meio Ambiente, a execução do ZEE do Amazonas. Afinal, uma das letras “E” do ZEE é de ecológico.
Sei que ONGs ambientalistas não gostaram do decreto e também não defendem a implementação do ZEE do Amazonas. Será que houve, mais uma vez, um gol contra de ONGs que atuam no Amazonas?
O que diz o atual secretário ongueiro da SEMA, oriundo do movimento ambientalista, sobre a decisão do MPF em relação ao decreto? Sei que ele participou. A área ambiental pública do Amazonas continuará em silêncio diante dessa situação? Os ex-governadores e o atual governador permanecerão calados?
Sou totalmente a favor da legalidade e da preservação ambiental, mas nenhum “acordo”, “convenção” ou “marco global” internacional pode prevalecer sobre a vida do povo que manteve a floresta em pé e que continua convivendo com alguns dos piores indicadores sociais e econômicos do Brasil e do mundo. Só em Manaus temos 31% na pobreza.
O ZEE do Amazonas sempre foi uma urgência ignorada. E nunca vi — o espaço continua aberto — uma recomendação formal para sua efetiva implementação no meu Amazonas.
Há ainda outro ponto que o MPF precisa observar: entram bilhões de reais no Brasil destinados à preservação da Amazônia, mas nenhum centavo é direcionado ao ZEE. Qual a razão disso, se um dos “Es” do ZEE é justamente o ecológico? Será porque o “E” de econômico não pode existir em uma região onde milhões de pessoas vivem na pobreza?
Veja, abaixo, as notícias sobre o assunto e comparações sobre reserva legal na Amazônia e Europa. Observem com atenção os números.
O MPF-AM poderia acompanhar mais de perto os recursos internacionais (Fundo Amazônia/BNDES) que entram no Amazonas para que o SER HUMANO que preservou o verde tenha DIGNIDADE. Como esse recurso está sendo aplicado?
THOMAZ RURAL



