Opinião/Informação:
É um absurdo ouvir do dirigente da FAS a afirmação, dita em voz macia, de que o caboclo que preservou a floresta em pé teria apenas DUAS alternativas de sobrevivência. Que absurdo!
Primeiro, é falsa a ideia de que o caboclo desmata para vender madeira. Quem promove a exploração ilegal são organizações criminosas, como afirmou o ex-superintendente da PF no Amazonas, Alexandre Saraiva. Colocar essa responsabilidade sobre quem efetivamente preservou a floresta é injusto e inaceitável.
A segunda alternativa apresentada seria esperar a safra do açaí e colher os frutos da castanheira. A pergunta que faço é simples: alguém que dirige uma ONG que já recebeu mais de meio bilhão de reais, como é o caso da ONG FAS, aceitaria viver dessa forma, dependendo apenas da colheita do açaí e da castanha para sustentar sua família?
Também causa estranheza ouvir discursos sobre PAZ quando milhares de famílias que preservaram a floresta continuam sem acesso à água tratada, energia, telefonia celular, internet e oportunidades reais de desenvolvimento. Vivem em um estado onde nem mesmo o Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE) foi concluído. Ignorado por ambientalistas.
Não ficarei calado diante de discursos suaves que tentam romantizar a pobreza. Quem preservou 97% da cobertura florestal do Amazonas não pode continuar vivendo na miséria enquanto outros administram milhões em nome da conservação. Nem vou entrar no crédito de carbono já investigado pelo MPF-AM.
E há ainda a questão do Bolsa Floresta, criado como símbolo dessa política com a participação do titular da ONG FAS. Durante 14 anos, o benefício permaneceu em apenas R$ 50 mensais, um valor que jamais refletiu a importância do serviço ambiental prestado por essas famílias ao Amazonas, ao Brasil e ao mundo.
O caboclo, o ribeirinho, o extrativista e o produtor familiar não precisam de discursos que justifiquem sua pobreza. Precisam de renda, infraestrutura, dignidade e do reconhecimento econômico por tudo o que fizeram para manter a floresta em pé. Esse é o verdadeiro caminho para a paz social na Amazônia. O ex-ministro Roberto Rodrigues já disse: NÃO HAVERÁ PAZ ENQUANTO HOUVER FOME.
THOMAZ RURAL


