Opinião/Informação:
A ECO AMAZÔNIA está se mostrando um fracasso total e acabou expondo os péssimos números da geração de renda nas unidades de conservação do Amazonas.
Uma pergunta que precisa ser respondida: quanto do dinheiro do banco alemão KfW foi utilizado para a realização desse evento? Para quem ainda não sabe, esses recursos alemães foram destinados à ONG FAS, organização da qual saiu o atual titular da SEMA.
Nos vídeos aos quais tive acesso, o secretário da SEMA aparece exaltando excessivamente o governador Roberto Cidade. Segundo informações de bastidores, servidores da própria SEMA teriam sido “convidados” a comparecer ao Vasco Vasques para tentar aumentar o público do evento, diante da baixa participação espontânea.
Há quem diga que a permanência do atual secretário no comando da SEMA estaria diretamente ligada ao tema do “crédito de carbono”. Vamos aguardar os próximos capítulos.
Hoje mesmo encontrei uma autoridade do alto escalão do Governo do Estado, parlamentar aliado da própria gestão, e ele sequer sabia da existência da ECO AMAZÔNIA no Vasco Vasques.
As matérias divulgadas pela Rede Onda Digital e pelo IDAM mostram claramente o vazio do evento. Os próprios vídeos publicados pela SEMA revelam corredores praticamente vazios e um número muito pequeno de produtos vindos do interior do estado.
Quando se compara os milhões investidos nas unidades de conservação com os resultados apresentados na ECO AMAZÔNIA, fica fácil perceber que a política ambiental pública falhou em vários pontos: falhou no combate aos ilícitos dentro dessas áreas, falhou ao deixar de beneficiar um número significativo de famílias e falhou quase completamente no fortalecimento da produção de alimentos. Você quase não vê alimentos na ECO AMAZÔNIA. São raríssimos.
O caboclo praticamente não ganhou nada por preservar a floresta.
Além disso, chamou atenção o baixíssimo número de produtos originados dessas áreas protegidas. Em um dos depoimentos divulgados, uma pessoa afirma que a geração de renda serve apenas para atender às “principais necessidades”, ou seja, às necessidades básicas. Isso é inaceitável.
Trabalhar, preservar e viver dentro dessas áreas apenas para sobreviver é inadmissível.
A presença de somente 13 representantes de reservas sustentáveis comprova que algo precisa mudar urgentemente na política ambiental pública do Amazonas.
E ficam algumas perguntas:
• Será que, entre as palestras, a SEMA explicou o atraso no Bolsa Floresta/Guardião da Floresta e a promessa de que os pagamentos dependeriam do utópico crédito de carbono?
• Será que a SEMA explicou por que o Amazonas ainda não concluiu o ZEE, mesmo sendo um instrumento previsto na Política Nacional de Meio Ambiente?
• Será que houve alguma palestra mostrando as recomendações do MPF-AM que suspenderam processos relacionados a REDD+ e crédito de carbono no Amazonas?
• Será que a SEMA apresentou prestação de contas da parceria SEMA/FAS, acompanhada pelo MPC/TCE?
• E sobre os recursos do banco KfW: houve alguma explicação clara sobre a destinação desse dinheiro?
Outra pergunta inevitável: qual o motivo de Wilson Lima — e agora também Roberto Cidade — manterem a atual gestão da SEMA? Será o “crédito de carbono”?
Já ouvi algumas respostas, inclusive de pessoas de dentro da própria secretaria. No momento oportuno, irei divulgar.
Espero sinceramente que não sejam verdadeiras.
Neste espaço, o caboclo que manteve a FLORESTA EM PÉ sempre terá um defensor.
THOMAZ RURAL


