Em artigo, ministros de Lula desmentem o presidente e jogam balde de água fria sobre o asfalto da BR-319

Opinião/Informação:

A promessa de asfaltamento da BR-319, reforçada pelo presidente Lula em Manaus, contrasta diretamente com o que seus próprios ministros, João Paulo Capobianco (Meio Ambiente) e George Santoro (Transportes), afirmaram em artigo no jornal O Globo. Enquanto o palanque vende integração, a realidade técnica impõe burocracia e isolamento.

1. O Asfalto Ficou para Depois

O artigo desmente a iminência das obras ao revelar que a pavimentação foi jogada para uma nebulosa “segunda fase”, sem qualquer prazo definido:

A obra será conduzida em duas fases. A primeira terá foco na manutenção e no melhoramento dos trechos existentes […]. A segunda, de pavimentação, só ocorrerá depois de licenciamento ambiental, exigências técnicas e oitivas às comunidades locais...”

Na prática, o trecho central continuará recebendo apenas os paliativos de sempre, enquanto o asfalto definitivo permanece travado nas gavetas ambientais.

2. O Cerco Territorial: Mais Reservas

Em vez de garantir a livre circulação, o plano do governo é ampliar severamente as restrições na região, transformando o entorno da rodovia em um bloqueio quase intransponível:

Para garantir a proteção ambiental, o governo ampliará o mosaico de proteção na região, com novas unidades de conservação, reconhecimento de terras indígenas […]. Essas áreas na região da BR-319 poderão passar de 85 mil km² para 121 mil km², superfície superior à de Portugal.

Conclusão

O Amazonas carrega o título de estado mais preservado do país, mas sua população é punida com a miséria logística e o isolamento. Prometer a estrada no palanque e, simultaneamente, assinar um artigo condicionando a obra ao aumento de reservas e a licenças complexas é brincar com a dignidade do povo amazonense, perpetuando um cenário de total desesperança. Se formos olhar como vive o caboclo nas UCs, RDS, RESEX e APAs já criadas é inadmissível pensar em criar outras enquanto a dignidade não chegar a quem vive nelas. É impressionante como os ambientalistas não priorizam o ZEE do Amazonas, nem o MPF-AM cobra a sua execução.

Nenhuma líderança do Amazonas vai se posicionar diante desse artigo publicado neste fim de semana no O GLOBO?

Leia o artigo e tire suas conclusões

THOMAZ RURAL

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