Opinião/Informação:
Durante anos, o Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM) figurou como uma das organizações-membro de destaque no Observatório do Clima (OC), a principal rede de ONGs que atuam na agenda climática no Brasil. Evidências visuais (anexo 1) mostram a logomarca do IDESAM estampada no site oficial do Observatório como parte do quadro de organizações parceiras. Essa parceria, contudo, entrou em rota de colisão com os interesses locais do Amazonas quando o Observatório do Clima intensificou ações jurídicas para impedir o reasfaltamento da BR-319 (Manaus-Porto Velho), alegando riscos de desmatamento desenfreado. Ação jurídica do passado, nem é a atual.
O Divórcio Estratégico: O Ofício à SUFRAMA
A gota d’água ocorreu em meados de 2024. No dia 29 de julho de 2024, o IDESAM emitiu o Ofício nº 151/2024 – SUFRAMA, assinado por Carlos Gabriel Koury (Diretor de Inovação em Bioeconomia). O documento (anexo 2), endereçado ao Superintendente da SUFRAMA, José Bosco Gomes Saraiva, é taxativo ao declarar:
“O Idesam não é contra a BR-319… somos a favor da repavimentação através de um processo de licenciamento rigoroso.”
O ponto crucial do documento surge logo abaixo: “Complementarmente, informamos que o Idesam se retirou do Observatório do Clima.” Tudo para não perder os milhões da SUFRAMA/INDÚSTRIAS PIM/PPBio.
A saída não foi ideológica, mas de sobrevivência institucional. O IDESAM coordena o PPBio (Programa Prioritário de Bioeconomia) da SUFRAMA, que gerencia milhões de recursos oriundos de empresas do Polo Industrial de Manaus (PIM). Como as indústrias da Zona Franca e a população local veem na BR-319 uma saída vital para o isolamento logístico, a permanência do IDESAM em uma rede que processava o Estado para travar a obra tornou-se insustentável. Depois disso, tiraram a logomarca do IDESAM do site do “Observatório”. Pura piada!
A Árvore Genealógica: Do Estado para a FAS, da FAS nasceu o IDESAM
Para entender o DNA do IDESAM, é preciso olhar para o governo Eduardo Braga (2003-2010), mas precisamente quem era o seu secretário de meio ambiente, o criador do Bolsa Floresta de miséria (R$ 50 reais por 14 anos e para menos de 1% da população). Em entrevista ao jornal A Crítica (anexo 3), o fundador do IDESAM e da AMAZ, Mariano Cenamo, revela sua trajetória:
- Mariano Cenamo diz, claramente na entrevista, que foi estagiário na Secretaria de Meio Ambiente do Amazonas (SDS) sob a gestão de Virgilio Viana.
- Quando Virgilio Viana deixou a secretaria para fundar e dirigir a Fundação Amazonas Sustentável (FAS), o grupo de técnicos e a visão de gestão ambiental público-privada se consolidaram.
- O estágio da SEMA assume o IDESAM, então, surge como uma organização que compartilha essa origem técnica e política, muitas vezes descrita por observadores locais como uma “costela” ou desdobramento da estrutura de pensamento e rede de influência estabelecida pela FAS.
Conclusão: Alinhamento vs. Pragmatismo
A saída do IDESAM do Observatório do Clima marca uma clara separação entre o “ambientalismo de rede nacional/global” e o “ambientalismo de base regional”. Para manter a gestão dos recursos do PPBio/SUFRAMA e o diálogo com o setor industrial, o IDESAM precisou desvincular-se formalmente do grupo que lidera a resistência jurídica à BR-319, embora as evidências históricas mostrem que as raízes dessas organizações estão profundamente entrelaçadas.
Vi hoje a manifestação do deputado estadual Fausto Júnior. Ele tem razão em parte, mas não segue o melhor caminho. A medida mais adequada é a abertura de uma CPI na Assembleia Legislativa do Amazonas para identificar, com clareza, quais ONGs e quais atores são parceiros do chamado Observatório do Clima e atuam contra os interesses do estado. Nunca defendi nada ilegal. Defendo o asfaltamento da BR-319, o uso de tecnologia — como satélites, que já existem e são plenamente capazes — e a atuação firme do poder público para coibir ilícitos de forma rápida e eficaz. Não precisa de DRONES. No caso das ONGs FAS e IDESAM, tenho apresentado elementos que indicam relação com o Observatório do Clima. Há políticos locais que têm conhecimento disso, mas preferem ignorar o tema e, agora, tentam transformar a filha de Marina Silva em bode expiatório. Sou crítico à atuação de Marina, mas é preciso reconhecer que ela passou 14 anos fora do governo, embora anteriormente tenha tido influência na destinação de recursos do Fundo Amazônia para organizações. O ponto central é outro: se não enfrentarmos quem está aqui, dentro do próprio estado, atuando contra o povo do Amazonas, de nada adianta discursos genéricos ou ataques amplos às ONGs sem a devida identificação e responsabilização.
Fontes e Provas Documentais:
- Print 1 (Site OC): Logomarca do IDESAM presente no portal do Observatório do Clima.
- Ofício 151/2024 – SUFRAMA: Documento formal de rompimento com o OC e apoio condicionado à BR-319.
- Entrevista Jornal A Crítica: Relato de Mariano Cenamo sobre sua formação junto à Secretaria de Meio Ambiente e Virgilio Viana.
- Links Externos: Portal Observatório do Clima e Matéria Thomaz Rural.
THOMAZ RURAL







