Artigo de opinião — Thomaz Rural
É PRECISO ABRIR A CAIXA-PRETA DO JUDICIÁRIO, COMO O PRÓPRIO LULA DEFENDEU EM 2003!
Pelo ambiente político antes e durante a votação, pela apatia de parte dos petistas e pelos números das pesquisas eleitorais, tenho uma convicção pessoal: nem Lula acreditava que venceria a eleição presidencial de 2026! Muito menos que conquistaria mais de 10 milhões de votos adicionais entre o primeiro e o segundo turno, terminando com uma vantagem de 4,43 milhões de votos sobre Flávio Bolsonaro!
Entretanto, o que mais me inquieta não é apenas o resultado das urnas. É o protagonismo de determinados ministros do Supremo Tribunal Federal.
Na minha avaliação, Lula foi surpreendido pela vitória. Não tenho provas de que alguém conhecesse antecipadamente o resultado, mas considero legítimo questionar a concentração de poder e os bastidores da política brasileira.
E O CHAMADO “TEMPO ZANIN”?
No dia 25 de outubro, o ministro Cristiano Zanin determinou a prorrogação da votação por até duas horas, até as 19h, horário de Brasília. Considero uma decisão extraordinária, tomada nos momentos finais da votação, que merece explicações transparentes sobre seus fundamentos, execução e efeitos. Questionar uma decisão judicial não significa desrespeitar a Justiça. Significa exercer a cidadania!
E AQUELA FOTO DOS MINISTROS SORRINDO?
Outra imagem que não sai da minha cabeça é a fotografia de Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes dando gargalhadas, com Cristiano Zanin sorrindo ao lado, registrada em setembro, quando o Supremo enfrentava sérios questionamentos públicos envolvendo integrantes da Corte e o caso Banco Master.
Não é proibido sorrir! Evidentemente que não. Mas aquela fotografia, para mim, simboliza uma tranquilidade difícil de compreender diante de uma crise institucional que exige esclarecimentos.
Não estou afirmando que um sorriso comprove irregularidades. Estou questionando a distância entre a imagem de descontração de ministros e a preocupação de milhões de brasileiros com os rumos das instituições.
ABRAM A CAIXA-PRETA DO JUDICIÁRIO! O PRÓPRIO LULA JÁ DEFENDEU ISSO!
Em 2003, no início de seu primeiro mandato, o próprio presidente Lula defendeu a necessidade de “abrir a caixa-preta do Judiciário”. A declaração provocou forte reação de magistrados e chegou ao Supremo Tribunal Federal.
Passados 23 anos, considero que aquela cobrança continua atual!
Quero saber o que existe por trás dos contratos milionários envolvendo escritórios de advocacia ligados a familiares de ministros do STF.
O contrato que previa R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório da esposa de Alexandre de Moraes, os negócios envolvendo familiares de outros integrantes da Corte e as relações empresariais associadas ao resort Tayayá precisam ser esclarecidos.
Não afirmo que essas relações comprovem crimes. Mas a sociedade tem o direito de conhecer os contratos, os serviços efetivamente prestados, os valores pagos e eventuais conflitos de interesses, respeitados os sigilos legalmente protegidos.
ABRAM A CAIXA-PRETA! Mostrem os contratos, os valores, os serviços prestados e quem recebeu os recursos!
A transparência precisa valer para todos, inclusive para quem tem a responsabilidade de julgar.
E faço uma pergunta ao próprio Lula: se em 2003 o senhor defendia abrir a caixa-preta do Judiciário, por que essa cobrança não deveria valer também em 2026?
LULA É PRESIDENTE OU INSTRUMENTO DO STF?
Vou mais longe!
Lula exerce a Presidência pelo voto popular. Os ministros do STF não foram eleitos pelo povo.
Por isso, considero legítimo perguntar: até onde vai a independência do Executivo e onde começa a influência política de determinados integrantes do Judiciário?
Na minha opinião, existe uma preocupante concentração de poder em parte do Supremo, capaz de influenciar profundamente os rumos políticos do Brasil.
Não afirmo que exista um comando oculto controlando o presidente. Mas também não aceito que questionamentos dessa natureza sejam tratados como ataques à democracia.
Um país com mais de 200 milhões de habitantes não pode ficar refém da vontade de três ou quatro ministros, sejam eles quais forem!
O Supremo precisa ser respeitado, mas também precisa respeitar a sociedade, prestar contas e aceitar críticas.
O TEMPO DIRÁ!
Repito: na minha avaliação, nem Lula imaginava aquela vitória. A mudança expressiva da votação entre os dois turnos, com mais de 10 milhões de votos adicionais, reforçou minha surpresa, embora esse crescimento, por si só, não represente evidência de irregularidade.
Quanto à possibilidade de alguns integrantes do STF não terem sido surpreendidos, trata-se de uma suspeita pessoal, não de uma acusação sustentada por provas.
O resultado das urnas deve ser respeitado. Isso não impede questionamentos legítimos sobre decisões, relações financeiras, possíveis conflitos de interesses e concentração de poder.
Se houver irregularidades, que sejam investigadas, comprovadas e punidas, independentemente dos nomes envolvidos. Se não houver, que os esclarecimentos sejam apresentados com a transparência que a sociedade merece.
O que poderá ter acontecido na totalização dos votos?. Defendo explicações públicas cada vez mais acessíveis, detalhadas e compreensíveis sobre todas as decisões extraordinárias adotadas durante o pleito.
O BRASIL PRECISA CONHECER A VERDADE!
Democracia não se fortalece com silêncio, mas com instituições transparentes, independentes e sujeitas ao escrutínio público.
E QUE SEJA ABERTA A CAIXA-PRETA DO JUDICIÁRIO, COMO O PRÓPRIO LULA DEFENDEU UM DIA!
É O QUE PENSO!
Thomaz Rural



