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MPF aponta atuação de Virgílio Viana e ex-colaborador da FAS em denúncias de pressão sobre ribeirinhos no Amazonas

Opinião/Informação:

Ação Civil Pública sobre projeto de créditos de carbono em Carauari relata falta de transparência, possíveis conflitos de interesses e pressões contra comunidades tradicionais.

Uma Ação Civil Pública apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF), em 22 de outubro de 2026, traz questionamentos sobre a atuação de Virgílio Viana, superintendente da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), e de Marilson, ex-colaborador da fundação, no Projeto Mejuruá, desenvolvido pela empresa BR Arbo, antiga APLUB, na região de Carauari, no Amazonas. Segundo relatos de comunitários registrados pelo MPF, Virgílio Viana e Marilson estiveram na região buscando convencer moradores a aceitar o projeto de créditos de carbono. Entretanto, nos primeiros contatos, não teriam esclarecido seus vínculos com a empresa interessada. O documento identifica Virgílio Viana como conselheiro da BR Arbo e Marilson como funcionário contratado pela empresa. Para o MPF, a ausência de informações claras sobre esses interesses comprometeu a transparência e a boa-fé das negociações com os ribeirinhos. A manifestação judicial afirma que a ligação histórica dos dois com a FAS contribuiu para transmitir credibilidade às conversas. O MPF considera que essa confiança teria sido utilizada para reduzir a resistência inicial de moradores ao projeto, sem que eles conhecessem plenamente os interesses envolvidos.

Pressões para conseguir assinaturas

Outro ponto grave envolve relatos de pressão sobre representantes da Associação dos Moradores Agroextrativistas do Baixo Riozinho (ASMOBRI). Segundo o documento, Marilson teria procurado a coordenação da associação aproximadamente sete a oito vezes, em um curto período, pressionando pela assinatura de documento favorável ao Projeto Mejuruá. A ação também relata que Virgílio Viana manteve contato com o prefeito de Carauari, seguido de uma abordagem da administração municipal à associação para questionar sua posição sobre o empreendimento. Virgílio confirmou ao MPF a conversa com o prefeito, mas afirmou que o contato foi informal e negou ter solicitado a intervenção da Prefeitura. Em outubro de 2026, conforme a ação, comunitários encaminharam ao MPF um áudio atribuído a Marilson contendo referências à possibilidade de solução judicial para moradores que ainda não tivessem regularizado suas áreas. O órgão considera que esse tipo de abordagem poderia representar pressão sobre famílias vulneráveis.

Projeto envolve centenas de milhares de hectares

O Projeto Mejuruá abrange uma área declarada de aproximadamente 678 mil hectares. Uma perícia do MPF identificou sobreposições com territórios tradicionais de ribeirinhos, extrativistas e indígenas Katukina. O Ministério Público sustenta que houve desrespeito ao direito de consulta prévia, livre e informada das populações atingidas, além de outras irregularidades atribuídas à BR Arbo e à Verra. Na ação, o MPF pede a suspensão do projeto, o cancelamento de registros nas áreas de sobreposição e uma indenização de R$ 6 milhões por danos morais coletivos. A FAS, Virgílio Viana e Marilson não figuram como réus nessa Ação Civil Pública. As condutas atribuídas aos dois são relatadas e questionadas pelo Ministério Público, mas não representam condenação judicial nem comprovação definitiva de responsabilidade individual. O espaço permanece aberto para manifestações e esclarecimentos da FAS, de Virgílio Viana, de Marilson e da BR Arbo.

Fonte: Ministério Público Federal — Ação Civil Pública, manifestação PR-AM-24987/2025, assinada em 22 de outubro de 2026.

Onde estão as principais acusações no documento?

Página do PDFO que está registrado
15Relatos de que Virgílio e Marilson buscaram apoio ao projeto sem revelar inicialmente os vínculos com a BR Arbo.
24–26Participação nas tratativas da empresa com o MPF.
28–30Relatos de pressão por assinaturas e contato de Virgílio com o prefeito de Carauari.
31MPF questiona a utilização da credibilidade vinculada à FAS e aponta violação da boa-fé nas negociações.
66–67Áudio atribuído a Marilson, encaminhado ao MPF em outubro de 2026, envolvendo possíveis pressões sobre um comunitário.
127MPF afirma que a empresa utilizou pessoas conhecidas das comunidades para superar resistências iniciais ao projeto.
140Os dois são mencionados entre representantes da empresa relacionados a relatos de pressões, assédios e cooptação.

Fonte: petição inicial do MPF

Abaixo, as 148 páginas…

https://www.mpf.mp.br/o-mpf/unidades/pr-am/noticias/mpf-ajuiza-acao-contra-empresa-de-gestao-florestal-br-arbo-e-certificadora-verra-por-violacoes-a-indigenas-e-comunidades-tradicionais-no-am

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