Opinião/Informação:
Que bom ouvir o senador Omar Aziz, eleito governador do Amazonas para o período de 2027 a 2030, destacar a importância da produção brasileira de soja diante de representantes da França.
Vale lembrar que a França tem adotado posições e defendido restrições comerciais que afetam o agronegócio brasileiro, também em defesa dos interesses de seus produtores rurais. Nada contra defender os interesses franceses. O que não podemos aceitar é deixar de defender os nossos!
Por isso, considero importante a posição de Omar Aziz, especialmente diante de discursos de determinados ambientalistas que, na minha avaliação, dificultam o desenvolvimento econômico do Amazonas sem apresentar alternativas concretas de emprego e renda para nossa população.
Espero, sinceramente, que o futuro governador não entregue a política ambiental do Estado a representantes de ONGs que, há anos, utilizam a imagem dos nossos caboclos e ribeirinhos para captar recursos, sem demonstrar claramente quanto desses valores chega às comunidades.
O Amazonas precisa de desenvolvimento sustentável de verdade, com produção, preservação ambiental, oportunidades e renda para quem vive aqui. Atualmente, a França vive protestos, inclusive de produtores rurais
Para contribuir com a equipe do futuro governador, apresento abaixo dados oficiais da Conab sobre a safra de soja 2026/2027 na Região Norte.
Os números da Conab para a safra de soja 2026/2027 mostram que o Amazonas continua muito distante dos principais produtores da Região Norte.
A previsão para o Amazonas é de apenas 18,2 mil hectares plantados, produtividade de 3.233 kg por hectare e produção de 58,8 mil toneladas. Os números são iguais aos da safra anterior, indicando ausência de crescimento previsto.
Enquanto isso, outros estados apresentam resultados muito superiores:
- Tocantins: 5,94 milhões de toneladas, com 1,72 milhão de hectares.
- Pará: 5,49 milhões de toneladas, com 1,52 milhão de hectares.
- Rondônia: 2,92 milhões de toneladas, com 766,5 mil hectares.
- Roraima: 534,5 mil toneladas, com 163,4 mil hectares.
- Acre: 100,9 mil toneladas, com 25,9 mil hectares.
- Amazonas: apenas 58,8 mil toneladas, com 18,2 mil hectares.
- Amapá: 31,8 mil toneladas, com 12 mil hectares.
O dado mais preocupante é que Roraima deverá produzir nove vezes mais soja que o Amazonas, enquanto Rondônia deverá produzir quase 50 vezes mais. Até o Acre, com uma área territorial muito menor, apresenta produção prevista 72% superior à amazonense.
A Região Norte deverá produzir 15,08 milhões de toneladas de soja, mas o Amazonas participará com apenas 0,39% desse total.
Esses números merecem uma reflexão. O Amazonas precisa discutir, com responsabilidade ambiental e planejamento territorial, por que continua tão distante dos demais estados da região. É necessário avançar no Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE), na regularização fundiária, na infraestrutura, na assistência técnica e no crédito rural.
Não se trata de defender o desmatamento para plantar soja, mas de identificar onde existe viabilidade legal, ambiental e econômica para produzir.
O Amazonas precisa transformar seu potencial agropecuário em oportunidades, empregos e renda para sua população. Atualmente, a França vive protestos, inclusive de produtores rurais
Fonte: Conab — Comparativo das safras de soja 2025/2026 e 2026/2027, conforme tabela apresentada. Dados estimados para 2026/2027.
THOMAZ RURAL




