Opinião/Informação:
Antes de adentrar a fundo nas lições de moral e nas fórmulas simplistas do artigo “Por que Manaus está respirando fumaça?”, publicado no Jornal ÀCRÍTICA, vale uma indagação de ordem prática: em qual refúgio o ambientalista se encontrava enquanto redigia o seu texto? Estaria ele sob o conforto cosmopolita dos escritórios de Nova York, Paris, Rio de Janeiro, São Paulo, ou quem sabe no interior da Bahia? A pergunta reflete o abismo existente entre o discurso das elites ambientalistas e a dura realidade vivenciada por quem realmente habita e produz na Amazônia. O artigo assinado pelo superintendente da Fundação Amazônia Sustentável (FAS) tenta reduzir um problema complexo de saúde pública, infraestrutura e governança a um surrado roteiro de culpabilização generalizada, apelando para narrativas de “injustiça climática” e exigindo mais mecanismos de financiamento para o ecossistema de ONGs que ele próprio representa.
À frente de uma entidade que já movimentou valores na ordem de R$ 500 milhões sob o pretexto de promover a conservação e o desenvolvimento sustentável, causa estranheza o tom de cobrança endereçado à sociedade e ao Estado. A cobrança por transparência precisa ser de mão dupla. Até hoje se aguarda a prestação de contas detalhada, com a identificação transparente, inclusive via CPF, dos engenheiros agrônomos, florestais e de pesca que supostamente receberam cerca de R$ 10 milhões para prestar assistência técnica direta nas Unidades de Conservação.
O artigo clama por uma abordagem sistêmica de longo prazo, mas omite as verdadeiras ferramentas estatais e territoriais que deveriam estar no centro desse debate. Nunca vi essa mesma elite ambientalista fazer a defesa firme do Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE) do Estado do Amazonas, tampouco mover uma cobrança incisiva pelo Plano de Adaptação Climática do Amazonas. Preferem defender repetidamente arranjos de Pagamento por Serviços Ambientais e créditos de carbono negociados em fóruns internacionais. A preservação da Amazônia não se faz com retórica abstrata nem mantendo populações regionais sob uma tutela assistencialista em reservas estagnadas. Quanto ao Bolsa Floresta, criado com a participação do autor do artigo, foram 15 anos com o valor de miseráveis R$ 50 reais para menos de 1% de quem deveria receber.
A fumaça que sufoca Manaus não será debelada com mais burocracia ambientalista ou com a culpabilização indistinta de quem trabalha no campo. O autor adora usar a palavra “desmatamento” num Estado que tem 97% da floresa em pé. Insiste em culpar pastagens, ignorando o que já disse o ex-superintendente da PF no Amazonas, delegado Alexandre Saraiva (vídeo abaixo). O combate efetivo aos incêndios descontrolados e à degradação exige presença estatal ostensiva, regularização fundiária, infraestrutura adequada e assistência técnica real para que o produtor rural possa adotar tecnologias mecanizadas e o manejo florestal sustentável. Proteger a floresta e cuidar das pessoas exige encarar a Amazônia como uma região de oportunidades, produção legal e cidadania, e não como um balcão de captação de recursos governamentais e internacionais geridos a partir de gabinetes distantes. Interessante é que o autor não disse que a mudança climática decorre de países com economias poluidoras da Europa e outros continentes. Será que o motivo decorre do recurso que vai parar no cofre das ONGs ter essa origem? Ele fala em “suprapartidário”, mas veja qual lado ele defende (vídeo abaixo).
Abaixo, logo após o artigo, veja o ambientalistas da ONG FAS, na Alemanha, criticando o movimento da DIREITA na América do Sul. A crítica, na minha opinião, não tem preocupação com o meio ambiente, nem com o povo do Amazonas, mas com o possível corte das verbas que abastecem as ONGs.
THOMAZ RURAL



