Opinião/Informação:
Em vez de convocar, com urgência, a comunidade internacional e as nações de maior pegada de carbono para auxiliar no socorro ao estado mais bem preservado do planeta, o Ministro do Meio Ambiente do governo Lula opta pela busca por culpados. Se há comprovação de atos criminosos e intencionais, que se use o poder de polícia do Estado para aplicar a lei e prender os infratores imediatamente. O que causa indignação é ver a vida humana e a biodiversidade ficarem em segundo plano frente à tentativa de construir narrativas partidárias. É preciso pragmatismo: mobilize ajuda internacional para combater os focos de incêndio agora e responsabilize com rigor quem for flagrado cometendo ilícitos. Nós, amazonenses, fomos historicamente os guardiões desta floresta. Hoje, assistimos à destruição daquilo que sempre preservamos enquanto sufocamos com a fumaça. A prioridade absoluta deve ser salvar vidas e apagar o fogo — a apuração de responsabilidades vem em seguida. É fundamental reconhecer, inclusive, a dinâmica natural do bioma sob estresse climático: em períodos de estiagem severa e calor extremo, a acúmulo de matéria orgânica seca (folhas, galhos) sob altíssimas temperaturas e baixíssima umidade relativa do ar cria condições propícias para o fenômeno da combustão espontânea como bem lembrado pelo jornalista Carlos Tramontina que esteve em Manaus. Nem todo foco de incêndio em crise climática extrema decorre de ação humana direta no momento do fogo; a física e a química do clima adverso cobram seu preço. Ministro, acorde! A Amazônia e o seu povo precisam de ação emergencial e cooperação global, não de retórica.
THOMAZ RURAL



