Opinião/Informação:
A crise do modelo agrícola europeu — escancarada pelas perdas de produtividade decorrentes das mudanças climáticas e pelo avanço de produtos importados na França — expõe a verdadeira face das barreiras impostas ao Brasil.
A narrativa de exigências ambientais e sustentabilidade frequentemente esconde a tentativa de blindar o mercado interno europeu. Pressionados pela perda de competitividade e pelo impacto do clima em suas colheitas tradicionais, países como a França utilizam travas regulatórias e entraves ao acordo Mercosul-União Europeia como um escudo protecionista.
O agronegócio brasileiro, que combina alta produtividade, tecnologia tropical e rastreabilidade, é enxergado como uma ameaça aos produtores locais altamente subsidiados da Europa. Trata-se de uma contradição: cobra-se do Sul Global um padrão rígido de exigências enquanto o modelo produtivo europeu luta para se manter viável.
O cenário se torna ainda mais crítico quando o próprio governo brasileiro estende o tapete vermelho para lideranças como o presidente francês, Emmanuel Macron. Enquanto a França atua diretamente para sufocar o agronegócio nacional e travar nossas exportações, a diplomacia brasileira adota uma postura de aceno político que ignora a urgência de defender os produtores rurais do país.
O Brasil não pode aceitar o protecionismo maquiado de preocupação ambiental, tampouco a passividade de quem deveria defender quem produz no país. Nosso papel é exigir firmeza nas negociações e reafirmar a eficiência da produção nacional para a segurança alimentar global.
THOMAZ RURAL



