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Muito bom o artigo do professor Rogério Fonseca

Opinião/Informação:

Este é mais um bom artigo que ratifica a incompetência do último gestor da SEMA, ongueiro que veio da FAS, que nada fez ao povo do Amazonas. Como dia o professor da UFAM, “a questã é operacional, o o ex-titular da SEMA só priorizou viagens e consultorias. LEIA O ARTIGO…

THOMAZ RURAL

Amazônia em Chamas: Por que o Amazonas Precisa de Mais Helicópteros para Combater os Incêndios Florestais

Artigo de opinião

A cada ano, a fumaça que encobre Manaus deixa de ser apenas um problema ambiental e passa a representar uma ameaça concreta à saúde pública, à economia e à qualidade de vida de milhões de amazonenses. O que ocorreu em 2023 e 2024, e voltou a preocupar em 2026, demonstra que os incêndios florestais na Amazônia deixaram de ser eventos excepcionais e passaram a compor uma nova realidade climática da região.

Em 2023, Manaus viveu um dos períodos mais críticos de sua história recente. A fumaça proveniente dos incêndios florestais comprometeu a qualidade do ar durante semanas, coincidindo com a maior seca já observada até então na bacia amazônica. Em 2024, o cenário se agravou. O Amazonas registrou mais de 21 mil focos de queimadas, ao mesmo tempo em que o Rio Negro atingiu a menor cota de toda a série histórica iniciada em 1902. Milhares de famílias foram afetadas direta ou indiretamente pelos efeitos combinados da estiagem, do calor extremo e da poluição atmosférica.

Esses números não representam apenas estatísticas. Eles evidenciam uma mudança estrutural no comportamento climático da Amazônia, exigindo respostas igualmente estruturais por parte do poder público.

A legislação brasileira já oferece todos os instrumentos necessários para agir. A Lei nº 12.608/2012, que institui a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil, autoriza a adoção de medidas extraordinárias para enfrentamento de desastres. A Lei nº 14.944/2024 fortaleceu a coordenação nacional para prevenção e combate aos incêndios florestais. O próprio Código Florestal (Lei nº 12.651/2012) autoriza expressamente o uso da aviação agrícola no combate aos incêndios em qualquer tipo de vegetação.

Portanto, a questão não é jurídica. A questão é operacional.

O Amazonas possui dimensões continentais, vastas áreas sem acesso terrestre e localidades isoladas por centenas de quilômetros de floresta, igarapés e rios. Nessas circunstâncias, o combate eficiente ao fogo depende fundamentalmente da capacidade de resposta rápida.

É nesse ponto que se destaca a importância dos helicópteros.

Embora aviões agrícolas e aeronaves de asas fixas possuam grande relevância em determinadas operações, os helicópteros representam, na maioria dos cenários amazônicos, o meio mais versátil e eficiente para o combate inicial e para o apoio direto às equipes em solo.

Diferentemente das aeronaves de asa fixa, os helicópteros não dependem de aeroportos ou aeródromos para sua operação. Podem ser deslocados e posicionados próximos aos focos de incêndio, operar a partir de clareiras, bases improvisadas, estruturas militares, áreas urbanas e até embarcações adaptadas.

Essa característica reduz significativamente o tempo de resposta.

Enquanto um avião necessita retornar a uma pista para reabastecimento e nova carga de água ou retardante, um helicóptero equipado com bambi bucket pode captar água diretamente de rios, lagos, igarapés e reservatórios próximos ao incêndio. Em um Estado que possui a maior rede hidrográfica do planeta, essa vantagem operacional é particularmente relevante.

Em muitas situações, o primeiro combate realizado nas horas iniciais define se um foco de incêndio será controlado rapidamente ou se se transformará em um grande desastre ambiental.

Além do lançamento de água, os helicópteros desempenham funções que nenhuma outra plataforma aérea executa com a mesma eficiência:

transporte de brigadistas;
evacuação aeromédica;
reconhecimento aéreo;
coordenação operacional;
transporte de equipamentos;
monitoramento em tempo real dos focos de calor;
apoio às equipes dos Corpos de Bombeiros, Defesa Civil, IBAMA e ICMBio.

Por essa razão, países que enfrentam incêndios florestais de grande escala, como Estados Unidos, Canadá, Austrália, Espanha e Portugal, mantêm frotas permanentes de helicópteros dedicadas ao combate ao fogo.

O Amazonas precisa avançar na mesma direção.

A experiência dos últimos anos demonstra que depender exclusivamente dos meios atualmente disponíveis não é mais compatível com a dimensão da ameaça enfrentada pela região. A legislação autoriza a contratação emergencial de aeronaves, a celebração de acordos de cooperação com outros entes federativos, a utilização de aeronaves privadas e o emprego de meios federais e militares em operações de defesa civil.

Diante disso, torna-se legítimo defender a criação de uma capacidade aérea permanente para o período crítico de estiagem, composta prioritariamente por helicópteros de combate a incêndios, complementados por aeronaves agrícolas e outros meios de apoio.

Essa não é apenas uma escolha administrativa. É uma medida de proteção ambiental, de saúde pública e de defesa da população amazonense.

A Amazônia está entrando em uma nova era climática. E novas circunstâncias exigem novas respostas.

Se a fumaça se tornou recorrente, o combate aos incêndios não pode continuar sendo episódico. Investir em meios aéreos modernos, especialmente helicópteros, significa agir antes que o fogo avance, antes que a floresta seja perdida e antes que a população volte a respirar o ar poluído que marcou os anos mais difíceis da história recente do Amazonas.

Rogério Fonseca, Docente e Pesquisador da Linha de Pesquisa da Gestão da Proteção Florestal e Desastres Ambientais na Amazônia, Coordenador do Programa de Mestrado e Doutorado em Ciências Florestais e Ambientais

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