Opinião/Informação:
Em 2022, quando Lula venceu a eleição e iniciou seu terceiro mandato, eu imaginava que faria tudo diferente dos dois primeiros governos. Acreditei que tiraria o Amazonas do isolamento, asfaltando a BR-319; que não permitiria que Marina Silva continuasse prejudicando a população amazonense com uma política ambiental que, na minha avaliação, ignora as necessidades de quem vive no Estado; que enfrentaria a grave crise de saúde dos povos indígenas; combateria as atividades ilícitas na região e trabalharia para melhorar os indicadores sociais e econômicos do Amazonas. Infelizmente, nada disso aconteceu como eu esperava. O Amazonas continuou à margem de soluções concretas para seus problemas históricos. O governo federal, na minha avaliação, voltou a priorizar uma agenda ambiental que dá espaço a organizações não governamentais (ONGs), enquanto questões fundamentais para a população permanecem sem respostas satisfatórias. E o cenário ficou ainda mais preocupante. Hoje, não são apenas os povos indígenas que enfrentam os problemas da região: os cerca de 4 milhões de habitantes do Amazonas sofrem com a fumaça das queimadas, que compromete a qualidade do ar e afeta a vida de todos. Continuamos sem o Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE) estadual efetivamente consolidado como instrumento de planejamento, enquanto a pobreza segue como um dos maiores desafios sociais do Estado. O Amazonas tem aproximadamente 97% de sua floresta preservada, mas essa riqueza ambiental não se traduz, na mesma proporção, em qualidade de vida para sua população. Preservar a floresta é fundamental, mas preservar também a dignidade, a saúde e o futuro das pessoas precisa ser prioridade. Confesso: nunca imaginei que a situação pudesse piorar tanto. Acreditei que o terceiro mandato de Lula representaria uma oportunidade para mudar essa realidade. Até aqui, porém, a frustração é enorme. Afinal, de que adianta o Amazonas continuar preservando suas florestas se sua população permanece convivendo com a pobreza, o isolamento, a fumaça e a falta de oportunidades? Sempre é bom relembrar que a titularidade da SEMA/Governo Estadual esteve entregue desde 2019 a um ongueiro que veio da ONG FAS.
THOMAZ RURAL



