Ao Senador Eduardo Braga,
Senador, acompanhei atentamente suas recentes declarações sobre as queimadas e a gestão ambiental no Amazonas e, em respeito ao seu histórico e à sua reconhecida inteligência política, gostaria de propor uma reflexão sobre alguns pontos centrais da sua fala.
Em primeiro lugar, discordo frontalmente da sua avaliação de que a agricultura familiar seja a principal responsável pelos incêndios no nosso Estado. Ao focar na figura do pequeno produtor que faz o seu roçado, V. Exa. acaba alinhando-se à narrativa de ala do ambientalismo que rotula e criminaliza quem trabalha na terra. O produtor rural amazonense não é o vilão do fogo; responsabilizá-lo ecoa um discurso simplista que prejudica a imagem de quem produz o sustento das nossas famílias no interior.
Quanto à questão da emenda do senador Omar Aziz para a compra do avião-tanque: pelas especificações técnicas necessárias para operar no Amazonas, uma aeronave desse porte custa a partir de R$ 17 milhões, valor igual ou superior ao montante da emenda em questão. É verdade que, se o recurso estivesse efetivamente em caixa, caberia ao Governo do Estado avaliar o erro de não ter feito o aporte complementar para viabilizar a compra.
No entanto, já que entramos no campo das hipóteses — do “se” —, é inevitável estender essa lógica ao passado: se governos anteriores, antes do governo Wilson, tivessem tido o empenho de asfaltar a BR-319, certamente não teríamos assistido à tragédia de vidas perdidas por falta de oxigênio na pandemia da Covid-19 em Manaus, quando caminhões ficaram retidos nos atoleiros da rodovia.
Sobre a ausência do Plano de Adaptação Climática no Amazonas, que é um absurdo, compreendo que esse gargalo seja fruto direto da gestão de quadro egresso da Fundação Amazônia Sustentável (FAS) — instituição que contou com seu apoio na origem — e que ocupou a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SEMA) por sete anos ao longo da gestão do governador Wilson Lima. Diante disso, pergunto: por que V. Exa., com a força do seu mandato de senador, não cobrou publicamente o Governo do Estado e o titular da SEMA ao longo de todos esses anos? Se cobrou, este espaço está a disposição para divulgar.
Por fim, nota-se uma clara movimentação em defesa do Governo Federal, do presidente Lula, omitindo que uma eventual continuidade dessa aliança devolve papel central à ministra Marina Silva — figura política rejeitada eleitoralmente no Acre e em São Paulo, e cujas posições históricas engessam o desenvolvimento da nossa região.
Fazer o dever de casa é uma obrigação de todos nós, da classe política e dos cidadãos — e não apenas em período eleitoral. V. Exa. possui uma inteligência privilegiada e uma trajetória marcante, mas o silêncio mantido nos últimos anos e essa repentina “descoberta da pólvora” em momento oportuno deixam lacunas difíceis de preencher.
Atenciosamente,
THOMAZ RURAL
Abaixo, a manifestação do senador reeleito Eduardo Braga em que pondero alguns pontos.


