Diante do avanço dos incêndios florestais em diferentes regiões do Amazonas, o senador reeleito Plínio Valério (PSDB-AM) encaminhou nesta quinta-feira (8/10) ofício ao ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, solicitando a mobilização imediata das Forças Armadas e o envio de aeronaves KC-390 Millennium, da Força Aérea Brasileira (FAB), equipadas com o Sistema Modular Aerotransportável de Combate a Incêndios, conhecido pela sigla MAFFS.
A solicitação ocorre em meio ao agravamento do cenário das queimadas no Estado, com focos registrados em diversas localidades e também na Região Metropolitana de Manaus.
Dados divulgados pelo Ministério Público de Contas do Amazonas (MPC-AM) apontam 6.257 focos de calor registrados até 30 de setembro de 2026, número 91% superior ao contabilizado no mesmo período de 2025.
No documento enviado ao ministro, Plínio argumenta que a dimensão dos incêndios exige uma resposta federal capaz de alcançar áreas de difícil acesso e reforçar o trabalho desenvolvido por bombeiros, brigadistas e equipes que atuam diretamente no solo.
Experiência do Pantanal

A proposta do senador tem como referência a utilização do KC-390 no combate aos incêndios que atingiram o Pantanal em 2024. Na ocasião, a aeronave da FAB foi equipada com o sistema MAFFS, desenvolvido para permitir o lançamento de grandes volumes de água durante o voo.
Segundo informações do Ministério da Defesa, os KC-390 empregados na Operação Pantanal 2 lançaram mais de 1 milhão de litros de água em 84 voos. Em outra publicação oficial, a Defesa registra que a aeronave equipada com o MAFFS superou a marca de 1,3 milhão de litros de água lançados sobre as áreas atingidas pelas queimadas.
O sistema permite que o KC-390 lance até 12 mil litros de água em uma única passagem, capacidade que possibilita atuar em áreas extensas ou de acesso complicado para as equipes terrestres.
A experiência também foi posteriormente utilizada em ações de combate a incêndios em São Paulo, demonstrando a possibilidade de emprego da aeronave em diferentes cenários de emergência ambiental.
Especialista defende
A utilização do KC-390 no Amazonas também vem sendo defendida pelo professor Marcos Maurício, da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), advogado e engenheiro civil e doutorando do Programa de Pós-Graduação em Ciências Florestais e Ambientais da instituição.
Segundo avaliação apresentada pelo especialista, o lançamento de água a partir de uma aeronave de grande capacidade poderia contribuir especialmente no combate aos incêndios em áreas de difícil acesso.
Em situações como a de Itacoatiara, os lançamentos poderiam ajudar a resfriar a cobertura vegetal e criar melhores condições para a progressão das equipes de bombeiros e brigadistas pelo solo.
A discussão ganhou força diante da dimensão dos incêndios registrados no Amazonas. O levantamento divulgado pelo MPC-AM mostra que o problema não está concentrado em um único município e alcança inclusive áreas próximas à capital.
Pedido de urgência
No ofício, Plínio Valério pede ao ministro José Múcio que sejam adotadas providências com urgência para reforçar a estrutura de combate aos incêndios no Amazonas.
“Conhecendo o espírito público de V. Excia. e sua dedicação às grandes causas que envolvem a população brasileira, especialmente em regiões como a Amazônia, solicito seu empenho para que as necessárias medidas sejam tomadas com extrema urgência”, afirma o senador no documento.
A solicitação coloca à disposição do debate uma alternativa já testada pelas Forças Armadas em operações reais de combate ao fogo. No Pantanal, o KC-390 equipado com o MAFFS foi empregado para alcançar regiões onde o trabalho terrestre encontrava limitações, integrando a ação aérea às equipes mobilizadas em terra.
No caso do Amazonas, a eventual mobilização da aeronave dependerá de decisão e planejamento operacional do Ministério da Defesa e da FAB, considerando as condições de segurança, logística e coordenação com as equipes que já atuam no combate às queimadas no Estado.


