Opinião/Informação:
A candidata Maria do Carmo, assim como Flávio Bolsonaro, venceram a disputa em Apuí e Humaitá, coincidentemente dois municípios do Sul do Amazonas onde o agro, a produção rural e a atividade econômica ligada ao campo têm presença importante. Importante ressaltar que outros dois municípios do AGRO, Boca do Acre e Guajará, a vitória foi da direita, foi de Flavio Bolsonaro. São sinais que os outros municípios não podem descartar.
Para mim, isso não deve ser tratado simplesmente como uma coincidência eleitoral. É um sinal que precisa ser analisado.
Não estou dizendo que todo eleitor desses municípios votou pensando exclusivamente no agro. Seria uma simplificação. Mas existe uma característica que não pode ser ignorada: onde existe trabalho produtivo, produção, comércio, circulação de renda e perspectiva de crescimento, a população tende a cobrar mais do Estado do que simplesmente receber do Estado.
É aí que entra uma discussão que considero fundamental para o Amazonas: assistencialismo não pode ser confundido com desenvolvimento.
Programas de transferência de renda têm sua importância, especialmente para quem está em situação de vulnerabilidade. O problema começa quando o assistencialismo deixa de ser uma ponte para a autonomia e passa a ser tratado como política permanente de desenvolvimento.
Dar dinheiro para uma família sobreviver é diferente de criar condições para que ela produza, trabalhe, empreenda, tenha renda e deixe de depender do dinheiro público.
Uma família que recebe assistência e continua sem oportunidade de produzir pode até sobreviver, mas continuará patinando no mesmo lugar.
É por isso que vejo o resultado de Apuí e Humaitá como uma sinalização política que o Amazonas precisa compreender.
O ser humano quer trabalhar. Quer plantar, criar, colher, vender, comprar, investir e melhorar a vida da família.
E essa dinâmica econômica é fundamental para o futuro do Amazonas.
Manaus já possui uma economia fortemente estruturada em torno do Polo Industrial de Manaus. Mas os outros municípios precisam encontrar seus próprios caminhos de geração de emprego e renda. E o setor rural pode ser uma dessas grandes alternativas.
Não estou falando em abandonar o Polo Industrial. Estou falando em não colocar todos os ovos na mesma cesta.
O Amazonas precisa de uma economia mais diversificada, com indústria em Manaus e, no interior, agricultura, pecuária onde for ambientalmente adequada, extrativismo, pesca, manejo florestal, bioeconomia, agroindústria, cooperativismo e comercialização.
Produzir é também preservar a dignidade de quem produz.
Por isso, deixo uma pergunta para os outros 59 municípios do Amazonas:
Por que Apuí e Humaitá deram uma sinalização tão forte para candidatos identificados com a direita, como Flávio e Maria do Carmo?
Na minha leitura, uma parte da resposta está justamente na realidade econômica desses municípios.
Quem vive diretamente da produção conhece o valor do trabalho. Sabe que para plantar é preciso preparar a terra, conseguir crédito, comprar insumos, produzir, enfrentar a logística, transportar, encontrar mercado e vender.
Esse cidadão não quer apenas um benefício no final do mês. Ele quer condições para produzir durante o mês inteiro.
E essa é uma diferença importante entre assistência social e política de desenvolvimento.
Depois de mais de duas décadas de governos do PT em diferentes períodos, é legítimo perguntar se o modelo baseado na ampliação permanente da dependência do Estado é suficiente para tirar milhões de pessoas da pobreza.
Na minha opinião, não é.
E o fenômeno não está restrito ao Sul do Amazonas.
Essa mudança de percepção pode ser observada em boa parte do Brasil, especialmente onde existe uma classe produtiva mais organizada, seja no campo, no comércio, na indústria ou no empreendedorismo.
O eleitor está começando a perceber que o Estado pode ajudar, mas não pode substituir o cidadão como protagonista da própria vida.
E aqui está, talvez, o maior desafio para os 59 municípios do interior do Amazonas:
não basta perguntar quanto o governo pode dar. É preciso perguntar o que o governo pode fazer para que o cidadão possa produzir e ganhar o próprio dinheiro.
Porque bolsa ajuda a atravessar a dificuldade.
Trabalho, produção, mercado e renda é que podem mudar a vida.
Essa é a diferença entre sobreviver e prosperar.
E talvez seja exatamente isso que Apuí e Humaitá estejam começando a dizer através das urnas.
THOMAZ RURAL



