Opinião/Informação:
O problema do Brasil nunca foi o jogo. O jogo sempre existiu, de uma forma ou de outra, na cultura e no cotidiano do brasileiro. O verdadeiro problema do país também não está no seu povo, que, apesar de todos os obstáculos diários, segue lutando e levando a vida da forma que dá.
O cerne da questão é que quem tem a caneta na mão prefere mirar no alvo errado. O governo federal tem o poder de acabar com o maior mal que corrói o nosso país: a corrupção generalizada entre os poderes. É essa corrupção estrutural que sufoca a economia, afasta investimentos sérios e faz o povo perder a esperança de conquistar um emprego digno e de maior remuneração.
Durante anos, o Estado arrecadou e lucrou bilhões com a regulamentação e a taxação das bets. Agora, tenta se desvincular e condenar aquilo de que se alimentou por tanto tempo. É um contrassenso inaceitável.
Em vez de proibições e medidas que apenas empurram a população para a informalidade ou criminalizam escolhas individuais, o poder público deveria focar no que realmente importa. Usem a força do Estado para combater a corrupção sistêmica e, acima de tudo, deixem o povo livre para decidir o que fazer com os seus próprios recursos financeiros.
No fim das contas, a busca desenfreada pelas bets muitas vezes reflete a última esperança de uma parcela da população que teve seus sonhos e sua dignidade financeira cerceados pela ineficiência e pela corrupção sistêmica dos poderes.

THOMAZ RURAL


