Opinião/Informação:
Enquanto a população do Amazonas — que historicamente manteve 97% da floresta em pé para o equilíbrio do planeta — adoece diariamente com a fumaça tóxica das queimadas e lota hospitais com idosos e crianças, o debate burocrático sobre a destinação de recursos internacionais parece viver em outra realidade.
Recentemente, a Fundação Amazônia Sustentável (FAS) veio a público esclarecer que recursos provenientes de cooperação internacional (como os do banco alemão) voltados a serviços aéreos estariam estritamente vinculados a “ações de comando, controle e fiscalização ambiental”, conforme o planejamento aprovado, e que não poderiam ser redirecionados para a contratação de aeronaves de combate direto a incêndios.
Ora, é preciso questionar com muita firmeza: que tipo de planejamento é esse que ignora a emergência climática e a saúde pública? Se foi planejado assim, foi um planejamento falho e desconectado da realidade amazônica, visto que o período de secas severas e queimadas já é uma tragédia anunciada há anos.
O programa se chama “Floresta em Pé”, mas como manter a floresta em pé se o ar está irrespirável, se o povo está adoecendo e se o calor extremo fruto das economias poluidoras globais nos obriga a pagar essa conta com a própria vida? O que é mais urgente hoje: cumprir uma burocracia rígida de fiscalização ou apagar os incêndios que incendeiam nossas matas e sufocam nossa gente?
Nenhum órgão de controle ou financiador internacional de bom senso pode se opor ao redirecionamento de verbas quando vidas humanas estão em risco iminente. A flexibilização e o remanejamento de recursos para o combate direto e a locação de aeronaves de combate a incêndios são medidas de óbvia necessidade humanitária e ambiental.
O Governo do Estado, os parlamentares e os órgãos de controle precisam agir URGENTEMENTE junto à FAS e aos parceiros internacionais para revisar esse planejamento. Não podemos assistir inertes à nossa gente adoecendo enquanto recursos existem, mas ficam engessados por amarras formais. A prioridade absoluta é a vida e a saúde do povo do Amazonas! Se nada for feito, entendo que fica mais evidente que a preocupação desses projetos não é o SER HUMANO da região.
- Resposta com base em e-mail recebido nesta data.
THOMAZ RURAL



