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VII Seminário Agropecuário colocou em debate os impactos da estiagem, acesso a crédito, gestão, tecnologia e políticas públicas para o setor rural do município.

VII Seminário Agropecuário colocou em debate os impactos da estiagem, acesso a crédito, gestão, tecnologia e políticas públicas para o setor rural do município.

A busca por alternativas para enfrentar os desafios do campo e fortalecer a produção rural reuniu produtores, estudantes, entidades, instituições financeiras, poder público e empresas no VII Seminário Agropecuário de Presidente Figueiredo, realizado nesta sexta-feira (18), no auditório do Escritório Regional do Sebrae no município.

Promovido pelo Sindicato Rural de Presidente Figueiredo e pelo Sebrae/AM, em parceria com o Sistema FAEA/SENAR/FUNDEPEC/Sindicatos, o encontro teve como eixo o fortalecimento do agro e abriu espaço para discutir questões que afetam diretamente quem produz, entre elas a estiagem que atinge a região.

Ao longo da programação, foram apresentadas informações e propostas relacionadas a gestão da propriedade, crédito rural, tecnologia, regularização fundiária, sustentabilidade, produção, sanidade animal e políticas públicas, além das oportunidades de apoio oferecidas por instituições que atuam no município.

Para o gerente do Escritório Regional do Sebrae em Presidente Figueiredo, Fábio Castro, o seminário cumpriu justamente o papel de aproximar quem produz de quem pode contribuir para enfrentar os desafios do setor.

“O Sebrae tem como um dos públicos prioritários o produtor rural e o piscicultor, pois entende que esse é um público muito forte aqui no município. O seminário tem o objetivo de aproximar os produtores das entidades e as entidades dos produtores, a fim de abrir espaço para que eles apresentem suas demandas, questionem e deem ideias do que pode ser melhorado”, afirmou.

Segundo Castro, a estiagem foi um dos pontos que ganharam destaque durante as discussões. “Estamos vivendo um momento importante, com uma estiagem muito grande no município e produtores que já estão tendo impacto na produção e até comercializando seus produtos abaixo do valor normal. A ideia é discutir o que pode ser feito, construir um plano de ação e colocar em prática estratégias que apoiem os produtores e suas propriedades”, acrescentou.

Agro como atividade econômica

A programação técnica começou com a apresentação do secretário municipal de Abastecimento e Desenvolvimento Agrícola, Aquícola e Pesqueiro (Semada), Jean Barros Ferreira, que representou o prefeito Antônio Vieira. Ele apresentou as ações desenvolvidas pela secretaria e os desafios enfrentados pelo município diante do período de estiagem, além das políticas municipais voltadas à agricultura, pecuária, pesca, aquicultura, logística e abastecimento.

Na sequência, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas (FAEA), Muni Lourenço, tratou das tendências para o futuro do agro brasileiro. Entre os pontos apresentados estiveram política agrícola, crédito, desburocratização, regularização fundiária, tecnologia e sustentabilidade ambiental.

Para Muni, o produtor precisa estar cada vez mais preparado para administrar a propriedade como uma atividade econômica, com planejamento e uso de ferramentas que permitam maior eficiência e previsibilidade. Nesse contexto, destacou a digitalização no agronegócio, com o uso crescente de tecnologias como drones, conectividade, dados e ferramentas para apoiar decisões e melhorar a produtividade no campo.

“O setor agropecuário passa por mudanças constantes. Hoje, o produtor precisa buscar eficiência, saber administrar e utilizar tecnologia. Não há mais espaço para o amadorismo em qualquer setor econômico, inclusive no meio rural”, destacou.

Ele também chamou atenção para os efeitos das mudanças climáticas sobre a atividade, defendendo maior acesso a mecanismos de gestão de risco, como o seguro rural, além de políticas de crédito e condições adequadas à realidade da Amazônia.

Sebrae apresenta atuação no setor primário

O papel do Sebrae no fortalecimento dos pequenos negócios rurais foi apresentado por Fábio Castro, na palestra “Agro é negócio: como o Sebrae está fortalecendo e ajudando os produtores e empreendedores a crescerem em Presidente Figueiredo”.

A apresentação mostrou ações realizadas pelo Sebrae no município nas áreas de gestão, organização e controle de custos, planejamento da propriedade, capacitação, beneficiamento, conservação, formalização, inovação e tecnologia, incluindo consultorias especializadas por meio do Sebraetec.

Também foram apresentados resultados de ações desenvolvidas junto a agricultores, piscicultores e outros produtores, como visitas técnicas, encontros, cursos e oficinas de gestão financeira.

Embora o Escritório Regional do Sebrae em Presidente Figueiredo tenha completado um ano de funcionamento, a instituição já atua há anos no município por meio de iniciativas como a Sala do Empreendedor, ampliando agora a presença territorial e a oferta de soluções diretamente aos produtores e empreendedores locais.

Conhecimento para produzir melhor

A programação também aproximou pesquisa e produção. O professor do Instituto Federal do Amazonas (IFAM), Israel Pereira dos Santos, apresentou um diagnóstico sobre a avicultura comercial de pequena escala em Presidente Figueiredo.

O estudo identificou desafios relacionados ao controle sanitário, acesso a insumos, assistência técnica e organização dos produtores. A pesquisa também apontou a possibilidade de estruturação de uma agroindústria para processamento de ovos ou abate de frangos como alternativa para agregar valor à produção, gerar emprego e ampliar a oferta de alimentos no município.

Na avaliação do diretor do IFAM em Presidente Figueiredo, Jackson Pantoja, a participação da instituição no seminário reforça a importância da formação e da aproximação entre conhecimento técnico e realidade do campo.

“Chegar à sétima edição com esses parceiros é importante porque fortalece o setor primário e rural. O IFAM se coloca sempre à disposição para a capacitação”, afirmou, citando cursos e iniciativas voltados à formação de profissionais para atuar no setor agropecuário e à preparação dos filhos dos produtores rurais.

Crédito e participação do setor produtivo

O acesso a recursos para investimento também esteve entre os assuntos discutidos. O gerente do Banco da Amazônia, Sidney Lôbo Braga, apresentou possibilidades de crédito para empresas, incluindo financiamento de máquinas e equipamentos, imóveis e reformas, veículos, energia renovável e capital de giro, além de linhas destinadas a projetos de infraestrutura e inovação.

A Mineração Taboca, representada pelo diretor Wagner Waranda, apresentou a atuação da empresa em Presidente Figueiredo, investimentos previstos para os próximos anos, oportunidades para fornecedores locais e iniciativas de qualificação profissional e responsabilidade socioambiental.

O presidente do Sindicato Rural de Presidente Figueiredo, Leonardo Mississipi, destacou que a realização do seminário reflete a necessidade de reunir diferentes atores em torno do desenvolvimento do setor primário.

“A agricultura é uma prática econômica que garante a subsistência do ser humano e, em Figueiredo, o meio rural sempre foi importante para o município. O seminário existe para alavancar políticas públicas do setor primário e fundiário e para que possamos transformar Figueiredo em um polo de produção rural e agropecuária”, afirmou.

Produtores levam demandas para o debate

A participação dos produtores foi um dos pontos centrais do encontro. Para o cafeicultor André Castilho, o seminário representa uma oportunidade de aproximar quem está na ponta das instituições responsáveis por políticas e ações de apoio.

“É o momento de juntar e aproximar os agricultores. Principalmente nesse momento de estiagem, em que muita gente está sofrendo e alguns agricultores podem até zerar sua produção e sua renda. É importante estar aqui para saber o que as autoridades têm a mostrar e oferecer como política pública para quem está lá na ponta”, relatou.

Piscicultor, Ermenegildo Barroso também destacou a importância de levar aos representantes das instituições as dificuldades enfrentadas diariamente nas propriedades.

“A gente que é produtor conhece bem a realidade e as dificuldades que temos. Numa reunião como essa, conseguimos passar nossa atividade e o outro lado consegue trabalhar para ajudar o produtor”, afirmou.

Representando pela primeira vez a produção indígena no seminário, a cacique Vanusa Kokama, agricultora e artesã, ressaltou a oportunidade de ampliar conhecimentos que podem ser levados à comunidade.

“É uma experiência para nós, como indígenas, representando a nossa tradição. Também trabalhamos com produção agrícola indígena e agricultura familiar. É muito importante adquirir conhecimento para levar para a minha comunidade”, disse.

Entre os participantes também estavam estudantes do curso técnico em Agropecuária do IFAM. Para Eduardo Dias, aluno do 3º ano, o contato com produtores e instituições amplia a preparação para a entrada no mercado.

“É uma grande oportunidade para desenvolver mais conhecimento e conseguir aplicar isso no campo, junto aos produtores pequenos e grandes e aos agricultores familiares. Essas palestras ajudam a gente, que está se formando, a entender melhor o que acontece na nossa realidade, no município e no Brasil”, afirmou.

O seminário contou com o apoio da Prefeitura de Presidente Figueiredo, Câmara Municipal de Presidente Figueiredo, Secretaria de Estado de Produção Rural (Sepror), IDAM, Banco da Amazônia, Mineração Taboca, IFAM, CDL de Presidente Figueiredo, Sala do Empreendedor de Presidente Figueiredo e Repromaster – Gráfica e Estamparia.

Realizado ao longo da manhã, o encontro se estendeu até o início da tarde e reuniu mais de 150 participantes, entre produtores rurais, estudantes, representantes de instituições e parceiros, que participaram de debates e conversas sobre demandas e alternativas para o setor agropecuário de Presidente Figueiredo.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.

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