A situação da qualidade do ar em Manaus e nos municípios do interior do Amazonas é alarmante, conforme alertou recentemente o Ministério Público do Estado (MPAM) diante do avanço das queimadas. Enquanto a população respira ar considerado péssimo, a cobrança por respostas efetivas continua na ordem do dia.
Em resposta aos questionamentos levantados por este Blog Thomaz Rural, a Fundação Amazônia Sustentável (FAS) revelou dados importantes sobre o Programa Floresta em Pé e os recursos do Banco Alemão de Desenvolvimento (KfW). Do total de R$ 5,28 milhões previstos para serviços aéreos, 26% já foram utilizados — o equivalente a cerca de R$ 1,37 milhão. Ou seja, ainda há um saldo substancial de 74%, cerca de R$ 3,91 milhões, disponíveis para aplicação.
No entanto, há pontos que exigem rigoroso escrutínio público. Questionada sobre o destino do dinheiro já gasto, a FAS se esquivou de prestar contas detalhadas, alegando que a relação das viagens não é de divulgação pública sob o pretexto de envolver dados operacionais e pessoais. Ora, estamos falando de uma crise socioambiental gravíssima, com forte apelo de interesse público e uso de recursos geridos no âmbito de políticas públicas. Onde está a transparência que a sociedade exige? A sociedade quer saber com quem foram gastos os R$ 1,3 milhões, quem viajou, o destino dessas viagens e o resultado. O MPAM deveria perguntar. Que sigilo é esse que envolve ação pública?
Além disso, a própria ONG esclareceu que esses voos têm foco apenas em apoio logístico, comando, controle e transporte de pessoal, enquanto o combate direto aos incêndios tem sido delegado a brigadistas. Diante da urgência e da fumaça sufocando o estado, a estratégia precisa mudar.
O caminho é óbvio: o Governo do Estado precisa urgentemente intervir junto à FAS e redirecionar os R$ 3,91 milhões restantes para a contratação imediata de aeronaves de grande porte específicas para lançamento de água (aviões-tanque). A população não pode continuar sufocada enquanto recursos vitais ficam presos em burocracias e opacidades operacionais.
THOMAZ RURAL


