Opinião/Informação:
É inaceitável assistir passivamente ao tratamento desigual que o governo federal dispensa ao setor produtivo nacional. Enquanto a produção de cana-de-açúcar definha no Amazonas, sufocada pela falta de incentivos e entraves logísticos, os produtores do Nordeste recebem um afago bilionário. São até R$ 270 milhões em subvenções econômicas garantidas para a safra 2025/2026, pagando R$ 12 por tonelada comercializada para socorrer cerca de 17 mil produtores nordestinos.
A pergunta que ecoa no interior do nosso estado é simples: e o Amazonas?
Hoje, amargamos a triste realidade de ter cerca de 60% das nossas famílias vivendo na pobreza. O nosso interior sofre com a escassez crônica de empregos e oportunidades. A resposta para mudar essa matriz de miséria está debaixo dos nossos pés e amparada pela lei: o desenvolvimento de um agronegócio sustentável, explorando com inteligência, tecnologia e respeito os 20% de área permitidos pelo Código Florestal.
Desenvolver a agricultura no interior do Amazonas não é um capricho, é uma questão de sobrevivência e de justiça social. Se a cana-de-açúcar nordestina merece socorro federal diante de crises e secas, o homem do campo amazônida também merece estrutura, crédito e subvenção para produzir alimento e riqueza. O potencial agrícola sustentável da nossa região poderia ser o grande sinal positivo que a nossa economia tanto implora, tirando milhares de ribeirinhos e agricultores familiares da dependência de programas assistenciais.
É inadmissível que essa disparidade passe em branco. Fica aqui a cobrança direta à nossa bancada federal: deputados e senadores do Amazonas precisam questionar essa assimetria em Brasília. Não queremos tirar o que é de direito de outras regiões, mas exigimos, no mínimo, o mesmo olhar estratégico e os mesmos investimentos para quem tenta, a duras penas, produzir na Amazônia. O nosso estado não pode continuar sendo tratado como um museu verde intocável enquanto sua população padece na fila do desemprego.
THOMAZ RURAL




