Opinião/Informação:
Os produtores rurais amazonenses que dependem do Programa de Vendas em Balcão (ProVB) da Conab se deparam, nesta primeira quinzena de setembro de 2026, com uma tabela de preços que desafia a lógica geográfica e logística da nossa região.
Analisando os dados oficiais recém-divulgados, a conta simplesmente não fecha. Conforme o documento “1788534469082_precos_estoques_2.pdf”, o produtor que for à Unidade Armazenadora de Manaus vai pagar R$ 69,00 pela saca de 50 kg de milho, o que representa R$ 1,38 por quilo.
No entanto, ao cruzar a fronteira para o estado vizinho, o cenário muda drasticamente. O arquivo “1788534517050_precos_estoques.pdf” mostra que na Unidade de Boa Vista, em Roraima, a mesmíssima saca de 50 kg (também da safra 2023/2023 e com ICMS excluso) está fixada em R$ 55,00, ou seja, R$ 1,10 o quilo.
Estamos falando de uma diferença considerável de R$ 14,00 a menos por saca para os criadores roraimenses. A grande perplexidade que fica para o setor rural do Amazonas é o trajeto desse grão. Sabe-se que o milho que chega a Roraima passa, obrigatoriamente, pelas rotas do Amazonas. Sendo assim, como o custo do produto na ponta final da linha consegue ser mais barato do que no meio do caminho?
Se o frete e a logística de transporte até Boa Vista são naturalmente mais extensos e onerosos, a formação desse preço de balcão precisa ser explicada de forma transparente. O produtor amazonense, que já enfrenta os altos custos de produção e os desafios históricos de infraestrutura no estado, acaba sendo penalizado por uma precificação que, à primeira vista, vai na contramão da realidade logística amazônica. Fica o questionamento sobre quais critérios compõem essa diferença e o que pode ser feito para equilibrar a balança para o agronegócio no Amazonas. Um detalhe: A safra de milho em RR não tem potencial pra influenciar nessa conta.
Obs: Espaço está disponível para a CONAB se manifestar, se quiser.
THOMAZ RURAL


