Opinião/Informação:
A recente decisão da União Europeia de suspender as importações de diversos produtos brasileiros de origem animal — incluindo carne bovina, frango, ovos, mel e peixe — expõe uma grave contradição. Sob o verniz da preocupação ambiental e sanitária, a medida soa como um claro protecionismo de mercado estruturado para blindar os produtores europeus da competitividade do agronegócio nacional. É irônico que as mesmas nações que anunciam injeções de recursos em nome da sustentabilidade global sejam as que agora impõem barreiras comerciais que, na prática, asfixiam a nossa economia e prejudicam quem produz.
Quando olhamos para a realidade do Amazonas, a injustiça dessa narrativa se torna ainda mais evidente e desproporcional. O estado já mantém aproximadamente 97% de sua cobertura florestal original intacta. Mais do que isso, os produtores locais arcam diariamente com o rigor da legislação, sendo obrigados a preservar 80% de suas propriedades — um serviço ambiental inestimável prestado gratuitamente ao mundo, sem qualquer retorno financeiro. Em vez de reconhecimento ou incentivo por operar em um modelo tão restritivo, o produtor amazonense é punido com travas comerciais que impedem o desenvolvimento. Acorda, Amazonas: não podemos permitir que a pauta ambiental seja distorcida e usada como ferramenta de mercado para impor o subdesenvolvimento à nossa região e ao Brasil.
THOMAZ RURAL




