Opinião/Informação:
O senador Omar Aziz vem a público defender o fim da escala 6×1 afirmando que “reduzir a jornada não vai quebrar o Brasil” e apelando para um discurso de humanização do trabalho. No entanto, esses argumentos ignoram a realidade nua e crua do país e, especialmente, do seu próprio estado: o Brasil não vai quebrar porque, na prática, já está quebrado.
Quando o senador fala em tempo para a família e qualidade de vida, ele parece fechar os olhos para o fato de que, no seu Amazonas, mais da metade da população não tem sequer o que comer. Para esses cidadãos, o debate sobre trabalhar seis ou cinco dias é uma utopia distante. Eles vivem a cruel “escala 7×7” — sete dias por semana desempregados, sem renda e sem comida na mesa. O Brasil amarga milhões de desempregados neste momento, pessoas cuja maior urgência não é a redução da jornada, mas a simples oportunidade de ter um trabalho formal.
O oportunismo dessa pauta é gritante. O grupo político aliado do senador está no poder e influencia o governo há tempos — tiveram duas décadas para colocar esse assunto em pauta e discutir os direitos trabalhistas com a profundidade que o tema exige. Por que escolheram levantar essa bandeira justamente agora? Se eu fosse o senador, aproveitava as notícias de hoje envolvendo o STF e já pulava do barco. Tem farto argumento para isso!
Diante de um possível derretimento de popularidade, o senador Omar, de olho na cadeira do governo, tenta pegar uma carona demagógica. Utiliza uma pauta sensível — a legítima preocupação com a saúde do trabalhador e o tempo de folga com a família — como mero trampolim eleitoreiro. O melhor trampolim era se afastar desse atual PT. Que no futuro possam vir nomes melhores no PT, mas o atual PT nacional está sem credibilidade. O que fizeram com Marcelo Ramos foi inaceitável.
Até pode-se pensar e caminhar na direção de jornadas de trabalho mais equilibradas no futuro. Contudo, levantar isso de forma atropelada, nunca antes debatida seriamente e logo às vésperas de uma eleição, não passa de uma atitude puramente eleitoreira e populista.
Primeiro, precisamos fazer a economia voltar a gerar empregos. A verdadeira prioridade humana é garantir que o trabalhador tenha um emprego para o qual voltar. Somente depois de vencermos o desemprego em massa e a fome é que faz sentido debater a jornada de 5×2.
THOMAZ RURAL


