Opinião/Informação:
As chamas que avançam sobre o município de Caapiranga acendem mais um alerta dramático sobre a desproteção do interior do Amazonas diante das queimadas. Enquanto o fogo consome a vegetação e afeta a população, fica evidente a ausência de uma estrutura permanente e ágil de combate a incêndios florestais na região. Não faltam recursos internacionais destinados à proteção da nossa floresta. O Programa Floresta em Pé, fruto de cooperação financeira entre os governos do Amazonas e da Alemanha por meio do Banco de Desenvolvimento KfW, conta com aporte financeiro robusto sob a gestão administrativa da Fundação Amazônia Sustentável (FAS). Dia desse a ONG está contratando aeronova para fiscalização com estima de 10 milhões. Diante da gravidade da situação em Caapiranga, é urgente que o Governo do Estado, e as entidades executoras utilizem esses mecanismos e recursos disponíveis para apoiar com aeronaves e suporte operacional as frentes de combate ao fogo. O objetivo central de qualquer política de conservação deve ser, prioritariamente, salvar a floresta em pé no momento crítico em que ela queima.
Posicionamento da FAS
Em resposta encaminhada a este espaço sobre os termos de contratação e aplicação dos recursos, a FAS esclareceu seu papel no programa:
“O documento mencionado na publicação não tem por objeto a contratação de aeronaves para utilização da FAS. Trata-se de Termo de Referência elaborado no âmbito do Programa Floresta em Pé para a contratação de serviços destinados a apoiar ações de fiscalização ambiental executadas pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas (SEMA), conforme previsto em seu Plano de Trabalho.
O Programa Floresta em Pé resulta de cooperação financeira entre os Governos do Brasil e da Alemanha, por intermédio do Banco de Desenvolvimento KfW. Nesse contexto, a FAS atua exclusivamente como entidade responsável pela execução administrativa e financeira do programa, não sendo destinatária dos serviços contratados nem beneficiária do objeto da contratação.”
Se a FAS é o braço executor financeiro, e a Ong não toma atitude, cabe ao poder público estadual demandar e direcionar os meios necessários para que as aeronaves e equipes cheguem aos focos de calor com a rapidez que o interior exige. A floresta e o povo de Caapiranga têm pressa.
THOMAZ RURAL



