Opinião/Informação:
Não discordo em nada do vídeo do empresário Pedro Monteiro, presidente do Sindicato das Indústrias de Alimentação. Apenas acrescento alguns pontos para que tudo o que ele defende possa, de fato, acontecer e também beneficiar quem preservou a floresta em pé até hoje.
Vivi três décadas no setor primário do Amazonas e, até hoje, continuo acompanhando de perto essa realidade. Essa ligação com a indústria é perfeita — é também um sonho meu. Contudo, os exemplos que conheço, especialmente o do pirarucu de manejo, mostram que quem está na origem de tudo muitas vezes não recebe sequer o custo de produção.
O que ameniza essa situação, nesse caso, é a PGPM-Bio, política para a qual ajudei na construção e pela qual lutei para incluir o pirarucu de manejo. Foi uma batalha grande, porque havia desconhecimento sobre a realidade do produto e foi necessário mudar a legislação para permitir a inclusão de produtos de origem animal na subvenção federal.
Precisamos criar mecanismos que permitam acompanhar quanto do valor gerado nessa cadeia realmente chega às pessoas que estão na floresta. Esse deveria ser um compromisso de todos. Infelizmente, as ONGs parecem não demonstrar a mesma preocupação com isso.
Também é urgente que o Amazonas tenha o seu ZEE — Zoneamento Ecológico-Econômico. Com ele, o nosso “tiro” econômico poderá ser mais certeiro, organizado e, principalmente, com segurança jurídica.
E volto a afirmar: há ONGs que não querem o ZEE, apesar de existir um “E” de ecológico no nome. Na prática, querem continuar engessando o Amazonas, dificultando justamente aquilo que poderia organizar e dar segurança ao nosso desenvolvimento. Atendem outros interesses.
Nessa luta, enquanto servidor federal, sempre tive o apoio da FAEA, OCB e FETAGRI. Quando fui indicado para superintendente, além dessas três entidades, também contei com o apoio formal da FIEAM, CIEAM e ACA. Serei grato eternamente!
Gosto de ver seus vídeos, Pedro. Eles renovam minha esperança de que ainda podemos construir um modelo em que a floresta em pé, o produtor, o extrativista, a indústria e o desenvolvimento caminhem juntos.
Minha esperança se renova.
THOMAZ RURAL



