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“Faço o que for necessário para que a fábrica seja implantada em Manaus”, Antonio Silva, da FIEAM

FIEAM apoia expansão da Haier em Manaus e defende implantação de fábrica própria no Amazonas

A Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM) recebeu, nesta quarta-feira (12), representantes do Grupo Haier, uma das líderes globais do setor de eletrodomésticos, para discutir a expansão da empresa no Brasil e as perspectivas de novos investimentos no Polo Industrial de Manaus (PIM). Durante o encontro, o presidente da FIEAM, Antonio Silva, defendeu ao CEO da Haier no Brasil, He Haifeng, a implantação de uma fábrica própria da companhia na capital amazonense e destacou o papel estratégico de Manaus para a expansão industrial e para a integração da Amazônia às cadeias produtivas nacionais e internacionais.

Participaram ainda da reunião o diretor de Operações da empresa, Guan Cheng, juntamente com a head de Relações Governamentais, Sarah Caixeta, o presidente do Sindicato das Indústrias de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Estado do Amazonas (SINAEES-AM), Rildo Oliveira, e a chefe de Gabinete Corporativo do Sistema FIEAM, Renée Veiga.

A Haier oficializou a sua chegada no Brasil em maio de 2026, com estreia no mercado nacional com foco em produtos premium e tecnologias de casa conectada, estabelecendo uma parceria estratégica inicial com a Fast Shop para distribuição. Em Manaus, a empresa já começou a produzir televisores e condicionadores de ar em parceria com Jabil e TPV. Segundo os representantes, a produção teve início em maio e os primeiros produtos deverão chegar às lojas da Bemol, um dos principais parceiros comerciais da companhia no Amazonas, ainda no fim de agosto.

Além da fabricação local de TVs e condicionadores de ar, a Haier importa atualmente para o mercado brasileiro outros produtos da marca, como geladeiras e máquinas de lavar. A estratégia, conforme apresentada durante a reunião, é consolidar a marca no país, conhecer o comportamento do consumidor brasileiro e, posteriormente, ampliar a produção local.

Para Antonio Silva, a presença da Haier em Manaus abre uma oportunidade para aprofundar a industrialização da região e ampliar a participação do Amazonas nos planos de crescimento da multinacional chinesa. O presidente da FIEAM colocou a estrutura da entidade à disposição da empresa e afirmou que defenderá a instalação da fábrica no Amazonas. “Aqui é a casa da indústria. E o que for necessário e preciso para advogar a implantação da fábrica, eu advogo que a fábrica seja implantada em Manaus”, afirmou Silva durante o encontro.

Na avaliação do presidente da FIEAM, a localização de Manaus também deve ser considerada sob a perspectiva da posição estratégica da Amazônia e das possibilidades de expansão dos mercados. Ele ressaltou o potencial da região para facilitar operações voltadas a outros países e mercados, incluindo os países vizinhos e a Europa.

“Por que, em Manaus? Porque o desenvolvimento deste país passa pela Amazônia”, destacou Antonio Silva, ao defender que a instalação de novos empreendimentos industriais na capital amazonense contribua para ampliar a capacidade produtiva e a integração econômica da região.

Tecnologia e sustentabilidade
Durante a reunião, a Head de Relações Governamentais, Sarah Caixeta, chamou atenção para a possibilidade da expansão da Haier no Amazonas incorporar tecnologias relacionadas à sustentabilidade e à transição energética. A head destacou que a indústria instalada no Polo Industrial de Manaus (PIM) possui uma cadeia produtiva tecnológica e sustentável e defendeu a transferência de conhecimentos e tecnologias utilizadas pelo grupo na China.

Entre os exemplos citados está a tecnologia de reciclagem utilizada pela companhia em uma de suas fábricas na China. Para Sarah, a expansão da Haier no Amazonas pode ir além da simples fabricação terceirizada e contribuir para a internalização de novas tecnologias no parque industrial local. “Eu tenho falado muito a eles de a gente trazer as tecnologias para cá, da China, trazer de fato, não só fazer a terceirização, mas trazer, por exemplo, a tecnologia de reciclagem”, afirmou.

A pauta tecnológica também está presente nos produtos que a empresa pretende oferecer ao consumidor brasileiro. De acordo com o CEO da Haier no Brasil, He Haifeng, a companhia trabalha com recursos de inteligência artificial, conectividade e eficiência energética. Entre os exemplos apresentados estão condicionadores de ar capazes de ajustar seu funcionamento de acordo com a temperatura do ambiente e tecnologias aplicadas a refrigeradores para ampliar a conservação dos alimentos.

Plano de expansão
A reunião também tratou dos próximos passos da Haier no Brasil. O grupo afirmou que a intenção é construir uma fábrica própria em Manaus, inicialmente voltada à produção de televisores e condicionadores de ar. A empresa também sinalizou que outros produtos poderão futuramente ser fabricados no Amazonas.

A estratégia prevê que a operação atual sirva como etapa de consolidação da marca no mercado brasileiro. A produção local de TVs já começou, enquanto os condicionadores de ar integram o processo de fabricação em Manaus. Segundo a empresa, os planos de expansão estão projetados para os próximos anos, com referência a 2027 e 2028. A perspectiva inclui não apenas a ampliação da fabricação dos produtos que já estão sendo produzidos localmente, mas também a possibilidade de incorporar outras linhas ao parque fabril amazonense.

Aproximação com o mercado brasileiro
A Haier também apresentou à FIEAM sua estratégia de construção da marca no Brasil. Com mais de 40 anos de atuação global, o grupo reúne marcas como GE Appliances, Candy, Hoover, AQUA e Casarte e busca adaptar sua atuação às características do consumidor brasileiro.

A companhia considera o Brasil um mercado estratégico e informou que vem estudando o país há cerca de dois anos. A estratégia prevê ampliar o conhecimento da marca entre os consumidores e desenvolver ações específicas para o mercado nacional, considerando diferenças culturais e de comportamento.

Durante a agenda na FIEAM, os representantes da empresa também manifestaram interesse em ampliar a rede de relacionamento com potenciais parceiros e clientes. A aproximação com a federação faz parte desse movimento de integração com o setor produtivo local. A entidade se coloca como interlocutora do setor produtivo na construção de um ambiente favorável à expansão industrial, à geração de oportunidades e à incorporação de novas tecnologias no Amazonas.

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