O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM), Antonio Silva, participou, nesta quinta-feira (6), de encontro promovido pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus (CDL Manaus), que reuniu lideranças empresariais, representantes de entidades de classe e o prefeito de Manaus, Renato Junior.
Antonio Silva aproveitou o diálogo com o prefeito para chamar atenção para o impacto da infraestrutura sobre a capacidade de atração de novos empreendimentos. Ao tratar das áreas destinadas à expansão industrial, defendeu que o planejamento seja acompanhado de investimentos capazes de viabilizar a instalação de empresas. “Nós estamos com impossibilidade de atração de mais investimentos para o nosso Polo Industrial, por conta de questões de infraestrutura. Nós temos que nos sentar à mesa e definir uma ação que possa efetivamente trazer solução para a realidade de hoje. Estamos perdendo e eu quero resolver o nosso problema regional”, afirmou.
A discussão ganhou ainda uma dimensão de planejamento territorial. Antonio Silva argumentou que a expansão industrial precisa ser acompanhada de infraestrutura e de uma estratégia urbana que evite concentrar novos empreendimentos em áreas sem estrutura adequada.
Na mesma linha, o presidente da FIEAM defendeu que Manaus amplie sua capacidade de receber empresas sem comprometer a mobilidade urbana. A proposta passa pela ocupação planejada de áreas já urbanizadas e pela criação de estruturas que aproximem moradia, emprego e serviços. “Fazer áreas de comércio, de habitação, parques, fábricas, escolas, cria comunidades que geram um trânsito muito menor para a rua de Manaus”, avaliou Antonio Silva.
O prefeito Renato Junior respondeu às demandas apresentadas pelos empresários destacando que o planejamento da cidade precisa considerar, simultaneamente, a atividade econômica e os impactos sobre a população. Ao falar sobre a autorização de empreendimentos, afirmou que a administração municipal precisa evitar que novos projetos sejam aprovados sem a infraestrutura necessária para absorver o aumento do fluxo de pessoas e veículos.
“Existe a cidade e existe o cidadão. Eu tenho cuidado da cidade, mas eu também tenho cuidado do cidadão. E quando eu permito que obras deixem o cidadão uma hora no trânsito parado, 45 minutos no trânsito parado, uma hora e 15 minutos no trânsito parado, eu estou evitando que esse cara chegue cedo no trabalho dele e estou evitando que ele chegue cedo nos braços da família dele”, afirmou Renato Junior.
O prefeito também defendeu que a expansão econômica ocorra de maneira planejada, com os empreendimentos instalados em locais adequados e acompanhados da infraestrutura necessária. Segundo ele, o objetivo é conciliar a geração de empregos com a capacidade de mobilidade da cidade. “Por que não gerar emprego do jeito certo? Colocando os prédios no lugar certo, sem ter problemas no trânsito, para que, quando a capital cresça, nós tenhamos mais para largar as ruas”, disse.
Em outro momento do encontro, Renato Junior reconheceu que decisões tomadas no planejamento urbano têm efeitos de longo prazo e defendeu que Manaus seja pensada para as próximas gerações. Ao comentar problemas provocados por empreendimentos e pela falta de infraestrutura viária, o prefeito afirmou: “A gente precisa cuidar de Manaus pensando nos nossos filhos e netos.”
O debate também abordou o licenciamento de empreendimentos. Representantes do setor produtivo defenderam maior agilidade nos processos e destacaram a redução no número de lançamentos imobiliários no primeiro semestre. Segundo os dados apresentados no encontro, foram cerca de 6 mil unidades lançadas no primeiro semestre do ano anterior, contra 2,6 mil no mesmo período deste ano. A avaliação apresentada foi de que a redução estaria relacionada à menor quantidade de empreendimentos licenciados.
Silva defendeu que a discussão sobre licenciamento seja tratada de forma conjunta pelas entidades empresariais e pelo poder público. Para ele, é possível acelerar processos sem renunciar ao planejamento e da segurança necessários para o crescimento da cidade. “Eu acho que a gente precisa trazer essa pauta. A ideia é discutir como licenciar de uma forma mais rápida”, afirmou, ao defender a união das entidades empresariais em torno de uma agenda comum com a Prefeitura.
O presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM), Lúcio Flávio Oliveira apresentou proposta de intervenção viária, já protocolada na Prefeitura. O projeto vem a ser um estudo elaborado por dois terminais portuários, em conjunto com o setor aeronáutico, com participação do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU). Segundo o presidente, a proposta está estruturada em três etapas e prevê intervenções na região da Yamaha.
Para Oliveira, a solução exige articulação entre as diferentes esferas de governo e o setor privado, principalmente porque a infraestrutura logística atende não apenas à capital, mas à economia de todo o estado. “Essa é uma pauta para nós, juntos. Eu me coloco à disposição para a gente bater nessa porta junto. Vamos a Brasília ou fazemos uma reunião aqui. A carga e descarga dos portos é de interesse não apenas de Manaus. É do Amazonas”, afirmou.
Ao longo do encontro, a Prefeitura também apresentou iniciativas voltadas à transformação urbana de Manaus, incluindo ações de revitalização do Centro, melhorias de mobilidade, modernização da iluminação pública, cabeamento subterrâneo e criação de novos espaços de convivência. As medidas foram apresentadas como parte de uma estratégia para tornar a capital mais organizada e atrativa para moradores, turistas e investidores.
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