Opinião/Informação:
É, no mínimo, um insulto à inteligência de quem vive, trabalha e conhece a realidade amazônica ver, após 18 anos à frente de uma organização que movimentou cifras astronômicas superiores a 500 milhões de reais, a súbita “descoberta” do óbvio apresentada por Virgílio Viana em seu artigo “Da Amazônia para o mundo: um modelo de adaptação climática guiado pelas comunidades”. O referido texto tenta vender como uma inovação metodológica o que, para quem conhece a ponta é uma demanda histórica, urgente e negligenciada.
Falar agora, após quase duas décadas de gestão consolidada, que é preciso “ouvir a base” e levar dinheiro para a ponta, não é um avanço. É o reconhecimento tácito de um fracasso monumental. Se o diagnóstico das necessidades básicas — água potável, energia solar, internet, assistência técnica e ZEE — já era evidente há tanto tempo para quem realmente está no território, por que o “novo modelo” proposto pelo autor só ganha contornos de urgência agora?
A retórica presente no artigo de Viana, de que “o desafio agora é transformar recursos financeiros em soluções concretas”, soa como uma confissão. Onde esses recursos foram aplicados durante todo esse tempo? O povo da floresta, que espera pelo “futuro prometido” pelas ONGs, não pode continuar servindo de cenário para artigos acadêmicos enquanto a realidade na ponta permanece estagnada. Não se trata de uma “nova metodologia”, mas de uma velha omissão que tenta se travestir de modernidade climática para continuar captando recursos que se perderam e vão continuar se perdendo pelo caminho.
A estimativa de R$ 21,6 bilhões para cinco mil comunidades, citada pelo autor, é um número que pode impressionar em relatórios, mas que se torna irrelevante se a lógica de gestão permanecer a mesma que, durante 18 anos, não conseguiu fazer o básico chegar a quem precisa. A verdadeira justiça climática não se constrói com “pontes ideológicas” em conferências internacionais como a COP30 ou Bonn, mas com a desburocratização real e a transferência direta de poder e recursos para quem, de fato, preserva a floresta.
O tempo das desculpas esgotou-se. O povo da Amazônia não precisa de mais um artigo sobre “como fazer”; precisa que o “como fazer” — que já sabemos há décadas — pare de ser retido nas engrenagens das grandes estruturas e chegue, finalmente, ao destino final.
Abaixo, divulgo a íntegra do artigo do titular da ONG FAS, mas destaco trechos para sua melhor avaliação dos absurdos que foram ditos por quem já tem quase três décadas atuando no Amazonas, inclusive já foi até Secretário de Meio Ambiente do ex-governador Eduardo Braga. Sem falar dos milhões que já recebeu em sua ONG. Aliás, foi nesse parceria Braga e Viana que nasceu a FAS, em seguida o IDESAM. Acorda Amazonas!
THOMAZ RURAL
Veja os absurdos ditos como argumentos, e no final a “facada” de mais 21 bilhões (kkk).










