VERGONHOSO: Gestão ambiental do Amazonas faliu na sua missão de conciliar preservação com desenvolvimento legal

Opinião/Informação:

Quando olhamos friamente para os números do cruzamento entre o PRODES (que mede o desmatamento real por satélite) e o Sinaflor (que registra o que foi formalmente autorizado), o diagnóstico do Amazonas é alarmante: o estado caminha a passos largos na contramão da regularização ambiental e da segurança jurídica no campo. Enquanto estados vizinhos conseguem trazer o produtor para a legalidade, o Amazonas exibe uma paralisia institucional que empurra a produção rural para a informalidade ou, pior, expulsa investimentos para fora de nossas fronteiras. Os dados mais recentes (2024–2025) da análise integrada entre os sistemas Sinaflor e PRODES revelam uma realidade incômoda, mas que não pode ser varrida para debaixo do tapete: a gestão ambiental do Amazonas faliu na sua missão de conciliar preservação com desenvolvimento legal. Enquanto o discurso oficial se perde em burocracias, os números mostram que o estado virou as costas para a regularização ambiental, empurrando o produtor para a invisibilidade e afugentando o capital produtivo para estados vizinhos — notadamente, Roraima. O gráfico é implacável. No período avaliado, o Amazonas registrou um desmatamento total expressivo de 809,8 km². Desse total, o volume de desmatamento legalizado, ou seja, chancelado pelo órgão ambiental do estado com licença e manejo autorizados, foi a redonda e vergonhosa marca de 0% (com arredondamento estatístico próximo de zero absoluto, apenas resíduos que não alteram a curva). Todo o chão que veio abaixo no estado aconteceu à margem da legalidade institucional.

O Contraste com o Modelo de Roraima

Para entender o tamanho do nosso atraso, basta cruzar a fronteira ao norte. Roraima virou o jogo da narrativa ambiental na Amazônia Legal ao registrar 50% de desmatamento autorizado. Em termos práticos: dos 272,9 km² suprimidos em solo roraimense, 136,4 km² contavam com licenciamento, plano de manejo, acompanhamento técnico e a devida segurança jurídica.

Não se trata de apologia à derrubada da floresta, mas sim de reconhecer a eficiência da Femarh (Fundação Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Roraima) em processar licenças, analisar o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e dar respostas rápidas. Onde há presença do Estado com licenciamento célere, o produtor de bem escolhe a legalidade. Onde o Estado se omite e engessa os processos, impera o caos.

A Diáspora dos Empreendedores Amazonenses

O resultado dessa disparidade administrativa não é apenas ecológico; é fortemente econômico. O setor produtivo e o agronegócio — tanto o familiar quanto o empresarial — demandam previsibilidade. O investidor precisa de terra regularizada, licença ambiental na mão e o aval do Estado para trabalhar sem o fantasma da multa e do embargo.

O Amazonas, ao travar suas engrenagens de licenciamento, promove uma verdadeira diáspora de empreendedores rurais. Não é segredo para ninguém que produtores amazonenses cansados da insegurança jurídica e da lentidão crônica das nossas agências ambientais estão arrumando as malas e migrando para Roraima. Estão levando consigo capital, tecnologia, know-how, geração de empregos e arrecadação de impostos que deveriam ficar aqui, gerando riqueza para o nosso interior.

Um Estado Rico em Floresta, Pobre em Gestão

A incapacidade do Amazonas de pontuar no Sinaflor é o retrato de um sistema que pune quem quer se regularizar. O pequeno agricultor do interior, isolado e sem assistência, e o grande investidor, dispostos a cumprir o Código Florestal, esbarram no mesmo muro de inércia.

Roraima provou que eficiência no monitoramento e agilidade no licenciamento não se excluem; somam-se. Promovem o desenvolvimento de baixo carbono com responsabilidade. Ao Amazonas, resta o constrangimento de figurar na lanterna da governança verde e o desafio urgente de refundar sua política ambiental. Ou o estado aprende a licenciar com responsabilidade e rapidez, ou continuará assistindo passivamente ao esvaziamento do seu interior e à fuga de seus melhores talentos do campo. Por fim, volto a lembrar que temos os piores indicadores sociais e econômicos do país, um dos piores IDHs do Brasil. Sem falar do esquecido ZEE do Amazonas, ferramenta do Política Nacional de Meio Ambiente que Roraima já tem aprovado pela Assembleia e sancionado pelo governador.

THOMAZ RURAL

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