“A Amazônia é mãe”, mas de quem? Só se for das ONGs ambientalistas…

Opinião/Informação:

Recentemente, uma campanha de Dia das Mães da Fundação Amazônia Sustentável (FAS) circulou nas redes sociais com a frase: “A Amazônia é mãe…”. Poético, sem dúvida. Mas para quem vive no interior do Amazonas, longe do ar-condicionado das sedes em Manaus ou dos escritórios internacionais, essa frase soa mais como uma ironia cruel do que como uma homenagem. Se a Amazônia é mãe, ela tem sido uma “mãe negligente” para seus próprios filhos. Como chamar de mãe uma terra que, por imposições externas e falta de logística, deixa seu povo isolado, doente e com fome? Onde o ribeirinho, indígenas, extrativistas, pesadores, manejadores e o produtor rural não têm direito a uma estrada pavimentada — como a nossa eterna BR-319 —, não têm energia constante, internet de qualidade ou renda digna? Basta olhar para os indicadores sociais. Enquanto o “marketing verde” floresce e as ONGs captam recursos milionários em nome da preservação, os IDHs (Índice de Desenvolvimento Humano) do interior do estado permanecem estagnados ou em queda. O que realmente cresce por aqui não é a produção sustentável de alimentos, mas o domínio das organizações criminosas e do narcotráfico, que ocupam o vácuo deixado pelo Estado e por uma economia travada por burocracias ambientais ideológicas. A verdade incômoda é que essa “mãe” tem sido generosa apenas com quem não vive nela. Ongueiros e burocratas internacionais recebem os benefícios, os aplausos e os recursos vultuosos. Enquanto isso, o amazonense — o verdadeiro guardião da floresta — é tratado como um intruso em sua própria casa, impedido de produzir o básico para o sustento de sua família sob o pretexto de uma preservação que não põe comida na mesa. Nós, que vivemos o dia a dia do setor rural, defendemos a dignidade. Queremos que a Amazônia seja, de fato, uma mãe para os amazonenses. Mas, para isso, ela precisa ser destravada. Ela precisa de infraestrutura real, de tecnologia no campo (como o acesso à internet via satélite que tanto incomoda alguns setores), que os programas já existentes cheguem na ponta, e, acima de tudo, de segurança jurídica para quem quer trabalhar e produzir.

Chega de homenagens vazias e vídeos emocionantes que não refletem a poeira e o isolamento do nosso interior. O povo do Amazonas não quer apenas frases bonitas no Instagram; quer o direito de prosperar na terra onde nasceu. Se a Amazônia quer ser mãe, que comece cuidando primeiro da barriga e do futuro dos seus próprios filhos.

THOMAZ RURAL

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