Opinião/Informação:
Com base na matéria da Folha de S.Paulo de 02 de maio de 2026, os fundadores e responsáveis pela empresa Joias Ecológicas são:
- Pedro Plastino: Ex-sócio do mercado financeiro da Faria Lima.
- Rodrigo Brandão: Ex-assessor sênior da presidência do BNDES.
Os dois se conheceram durante um programa de pós-graduação na Universidade de Harvard e fundaram a empresa em 2025 para atuar com créditos de carbono em reservas extrativistas (Resex) na Amazônia. Atualmente, a empresa conta com 12 empregados, dos quais quatro são ex-servidores do ICMBio, contratados estrategicamente para facilitar o diálogo e a entrada em comunidades tradicionais.
A reportagem da Folha de S.Paulo de maio de 2026 traz à tona um filme que nós, que vivemos a realidade do campo e da floresta, já vimos antes. Empresas formadas pela elite financeira da Faria Lima, agora reforçadas por ex-servidores do governo, “descobrem” a Amazônia prometendo a redenção financeira para as comunidades tradicionais. Mas, para quem conhece o chão da mata, o cheiro desse projeto não é de floresta — é de lucro retido por intermediários. O grande erro — ou a grande estratégia — do mercado de carbono atual é a criação de camadas de “gestão” entre o recurso e o produtor. Fala-se em 70% do faturamento líquido para as comunidades. Na prática, o termo “líquido” é uma armadilha. Ele permite que ONGs, consultorias caríssimas e escritórios de advocacia retirem suas fatias sob o pretexto de “viabilizar o projeto”. O serviço ambiental de preservação já foi feito e continua sendo feito por décadas pelo extrativista, pescador, manejador, pelo ribeirinho e pelo produtor rural. Esse crédito não deve ser uma “concessão” de uma empresa, mas um pagamento direto por um serviço prestado. O modelo ideal é simples: o dinheiro deve cair na conta do comunitário da mesma forma que caem os benefícios sociais, via agência bancária ou Caixa Econômica. Basta do “papo de ongueiro” que quer decidir o que a comunidade deve consumir. Quando o dinheiro vai para a mão de intermediários, ele se perde em reuniões, cartilhas e viagens. Quando vai direto para a conta do produtor, ele se transforma em:
- Energia Solar e Internet: Para tirar o homem do campo do isolamento.
- Saneamento e Água: Através de poços artesianos que trazem dignidade.
- Produção Real: Sementes, mudas e assistência técnica (que hoje pode ser virtual e eficiente).
Nas propriedades privadas com regularização comprovada, não há que vimos recentemente no caso Master, o direito do proprietário ao crédito de carbono é indiscutível, ele preserva 80% e dever ser remunerado por que já destruiu tudo. Porém, a justiça social exige que um percentual desse valor também seja depositado diretamente na conta do agricultor familiar, do manejador, ribeirinho ou do pescador que ajudou a manter aquele ecossistema vivo e ficou anos travado e na miséria. O que não podemos aceitar é a perpetuação de modelos de miséria como o antigo Bolsa Floresta. Preservar a Amazônia não pode ser um fardo de pobreza. O crédito de carbono é a oportunidade de remunerar quem trabalha, mas só será justo se eliminar o atravessador. O guardião da floresta não precisa de um “projeto” que o tutele; ele precisa do recurso na conta para decidir seu próprio destino, seja na saúde, educação, segurança e na produção agropecuária.
THOMAZ RURAL




