Opinião/Informação:
Respeito a Marina Silva. Não considero justo envolver sua filha em debates políticos. Não vejo qualquer problema da sua filha trabalhar no “Observatório do Clima”. Eu discordo é do “Observatório do Clima” e seus parceiros que atuam no Amazonas. No entanto, ao ouvir algumas de suas declarações, fica a impressão de que a ex-ministra acaba dificultando que pessoas com a mesma origem busquem o sucesso que ela própria alcançou em São Paulo.
Quando se destaca o carinho que ela demonstra por São Paulo, é inevitável pensar nas “Marinas” do Norte — sem recursos para viajar de avião e sem uma estrada como a BR-319 que lhes permita chegar à capital paulista e construir oportunidades.
Ela afirma que São Paulo “transforma e preserva”. Mas onde está essa preservação? Pelo que se observa, a maior preservação ambiental está aqui, no Amazonas.
Também menciona que São Paulo é um vetor estratégico para a transformação do país. E a floresta em pé do Amazonas, qual é o seu papel nesse processo? Aqui, temos os piores IDHs.
A própria ministra relata que, em São Paulo, conseguiu superar um diagnóstico de falta de perspectiva de vida. Não há dúvida de que sua trajetória é exemplar para outras regiões e países. Mas, diante disso, surge uma questão: por que dificultar que seus conterrâneos tenham a mesma chance de buscar uma “esperança de vida” em outras regiões do Brasil?
Sei que esteve 14 anos fora do governo, mas também é fato que ocupou o Ministério do Meio Ambiente em duas ocasiões. Outro ponto relevante: ao se candidatar por São Paulo, passa a impressão de que sua atuação, muitas vezes vista como restritiva para a Região Norte, encontra apoio no eleitorado paulista, mas gera insatisfação em sua terra natal, o Acre, e em outros estados da região.
Fica um apelo: não defenda interesses de países que já desmataram seus territórios e agora impõem restrições que podem condenar populações ao atraso.
Lute para que as mulheres do Norte tenham as mesmas oportunidades que a senhora teve. A senhora sabe que existem tecnologias, como satélites, capazes de monitorar e punir irregularidades ambientais ao longo da BR-319. O asfaltamento não derrubará nenhuma árvore.
Defende a recuperação de áreas degradadas no Norte — o que é importante —, mas é legítimo questionar: e as áreas degradadas de São Paulo? E da Europa? Eles podem continuar destruindo. Isso é brincar com meu povo do Amazonas.
É preciso equilíbrio. Caso contrário, corre-se o risco de cometer injustiça justamente com a própria origem.
THOMAZ RURAL


