Opinião/Informação:
Finalmente, os nomes e sobrenomes começam a aparecer. A recente decisão da Justiça de suspender editais ligados à BR-319 — que, segundo estudiosos, sequer contemplavam o asfaltamento definitivo — é mais um capítulo da novela de entraves impostos por entidades como o “Observatório do Clima”. Mas o que chama a atenção agora é a coragem de expor as digitais políticas dentro do próprio governo.
O jornalista Hiel Levy, profissional com trânsito e experiência de sobra por ter atuado nas principais esferas de poder do Amazonas, inclusive sendo secretário de comunicação do governo Eduardo Braga, trouxe uma manchete necessária: o atual cenário exige que o presidente da Assembleia Legislativa e governador em exercício, Roberto Cidade, “enquadre” ou exonere (eu exoneraria) o atual titular da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SEMA) que já está há quase 8 anos.
Não dá para ignorar os fatos. O atual secretário da SEMA é egresso da Fundação Amazonas Sustentável (FAS), uma organização que, na prática, parece ditar as regras da gestão pública ambiental há mais de doze anos. Estamos falando de ongueiros que vem desde Virgílio Viana, que deixou a secretaria de meio ambiente do governo Eduardo Braga para fundar a FAS, Hoje, o atual comando na SEMA é de Eduardo Taveira, que veio da FAS.
Temos, há mais de uma década, a área ambiental pública do Amazonas gerida por quem tem laços estreitos com a mesma ONG que é parceira da ONG que aciona a Justiça para travar o desenvolvimento do nosso estado. O resultado para quem vive no interior?
- ZEE (Zoneamento Ecológico-Econômico): Prometido e nunca entregue.
- Bolsa Floresta: Atrasado.
- REDD+ e Crédito de Carbono: Muita propaganda, mas zero centavo no bolso do caboclo que realmente preserva a floresta.
O Caboclo na Miséria
Enquanto recursos de instituições como o banco alemão KfW e as promessas de créditos de carbono são alvo de apurações pelo Ministério Público de Contas (MPC) e pelo Ministério Público Federal (MPF), o produtor rural e o ribeirinho continuam na miséria, assistindo a discursos sobre um “futuro sustentável” que nunca chega à mesa de quem tem fome.
É inadmissível que o Amazonas continue refém de visões externas que ignoram a realidade de quem sobrevive nos nossos 62 municípios. A BR-319 é a nossa artéria vital. Manter no comando da SEMA quem joga no time das ONGs que barram o reasfaltamento é, no mínimo, uma contradição que o povo do Amazonas não pode mais aceitar.
Já deu. O caboclo preservou, cumpriu sua parte e foi esquecido. Está na hora de o comando ambiental do estado voltar a pensar no ser humano que vive na floresta, e não apenas nos relatórios de quem ganha a vida “defendendo” o verde à distância.
THOMAZ RURAL



