Opinião/Infomação:
A antecipação escancarada da campanha eleitoral de 2026 já saiu do campo da suspeita para o da evidência. No Brasil e, de forma muito clara, aqui no Amazonas, o que se vê não é mais “pré-campanha”. É campanha aberta, com todos os elementos: reuniões públicas, carreatas, articulações políticas, discursos eleitorais e até promessas. E aí surge a pergunta inevitável: onde estão o Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas, o Tribunal Superior Eleitoral e o MPF? O que acontece atualmente com o STF afrouxou tudo? Pode tudo? Temos pessoas íntegras no TRE, TSE e MPF que, certamente, estão incomodadas e vão agir. A legislação eleitoral brasileira permite a figura do “pré-candidato”, mas não autoriza campanha antecipada disfarçada. Existe uma linha — clara — entre a manifestação política legítima e o abuso. O que estamos vendo hoje ultrapassa essa linha com folga. Criou-se uma distorção perigosa: o uso do “pré” como salvo-conduto para fazer campanha fora do período legal. É como chamar de “pré-diabetes” algo que já exige tratamento imediato. No caso eleitoral, esse “pré” não tem nada de preliminar — é campanha em pleno funcionamento, sem registro, sem regras efetivas e, pior, sem fiscalização aparente.
Isso fragiliza o processo democrático. Não apenas pela desigualdade que gera entre os que respeitam o calendário e os que o ignoram, mas também porque desloca o foco do que realmente importa.
O Amazonas enfrenta uma realidade dura: pobreza persistente, forte dependência de programas sociais como o Bolsa Família, baixa geração de emprego formal e indicadores sociais que ainda envergonham. Nesse cenário, é inaceitável que agentes públicos estejam mais preocupados com eleição do que com gestão.
Quando alguém já se apresenta como vencedor de “primeiro turno” distante da eleição, não estamos diante de expectativa — estamos diante de campanha. Ví esse vídeo hoje nas redes sociais.
A ausência de ação firme da Justiça Eleitoral passa um recado perigoso: o de que vale tudo. E quando vale tudo, quem perde é a sociedade.
Está mais do que na hora de o Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas, Tribunal Superior Eleitoral e o MPF-AM estabelecerem limites claros, fiscalizarem com rigor e fazerem cumprir a lei. Campanha tem tempo certo. Fora disso, é abuso.
O Amazonas precisa de trabalho, gestão e responsabilidade. Eleição se faz no período eleitoral — não o tempo todo. Essa é minha visão!
THOMAZ RURAL



