Marketing do “Ovo Único”: A estratégia é clara: entrega-se uma única obra e gasta-se com publicidade para arrecadar mais recursos. Acorda Amazonas!

Opinião/Informação:

A Fundação Amazonas Sustentável (FAS) opera no Amazonas desde 2008. Em quase duas décadas, a organização já movimentou cifras astronômicas — estimativas apontam para mais de R$ 500 milhões em recursos nacionais e internacionais. No entanto, o que vemos na prática é uma discrepância gritante entre o caixa da ONG e a realidade das Unidades de Conservação (UCs). Recentemente, a FAS celebrou com grande alarde a entrega de uma fábrica de gelo (Gelo Caboclo). O que a propaganda não diz é que, após 16 anos de atuação e meio bilhão de reais depois, ações como essa deveriam ser a regra, não uma exceção isolada a ser “vendida” como um grande feito inédito. Mesmo com um histórico de captação massiva, a FAS buscou recursos externos do PPBio (Programa Prioritário de Bioeconomia) da SUFRAMA, em parceria com a indústria (um aporte de R$ 1,5 milhão), para viabilizar o projeto. Fica o questionamento: para onde foi o montante acumulado ao longo de todos esses anos, se para cada nova entrega é necessário buscar novos editais e parcerias públicas? A crítica também recai sobre o modelo de negócio. O ideal seria o cooperativismo por vários motivos. Para quem vive da pesca e da floresta, o gelo é um insumo básico de sobrevivência. O Brasil e a comunidade internacional precisam olhar além dos relatórios coloridos e do marketing pago. É necessário exigir transparência e, acima de tudo, resultados proporcionais ao investimento. O Amazonas não pode mais ser o cenário de um “faz de conta” que sustenta estruturas administrativas gigantescas enquanto o caboclo permanece na dependência de ações pontuais. O mundo precisa entender que o teatro ambiental usa o caboclo como cenário para manter privilégios institucionais. Não somos contra a fábrica, mas contra um modelo de gestão que entrega pouco perto do que recebe e prioriza a vitrine em vez da transformação real da vida do ribeirinho.

THOMAZ RURAL

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