Um estado rico não pode aceitar depender de fora para se alimentar. Culpa de governadores aliados de ongueiros.

Opinião/Informação:

Os mais de 4 milhões de habitantes do Amazonas não podem se acomodar diante de manchetes como a publicada pelo Jornal do Commercio, repercutida pelo jornalista econômico Marco Dassori. Esse tipo de notícia precisa servir de alerta — não de conformismo.

A soberania alimentar e nutricional do Amazonas deve ser tratada como prioridade estratégica. Não se trata apenas de produzir alimentos, mas de garantir autonomia, reduzir custos e fortalecer a economia regional. O estado possui condições técnicas e ambientais para avançar na produção, especialmente com o suporte de instituições como a EMBRAPA, que já desenvolveu tecnologias adaptadas às condições amazônicas.

O produtor rural amazonense, especialmente o pequeno e médio criador, depende diretamente de insumos como milho e soja para a alimentação animal. Quando esses produtos são importados de outros estados, há um impacto direto no custo de produção, reduzindo a competitividade local e encarecendo alimentos para a população.

É importante destacar que existem áreas no Amazonas aptas ao cultivo de grãos, com viabilidade técnica comprovada, onde é possível produzir com responsabilidade ambiental e sem avanço sobre áreas sensíveis. Ou seja, há espaço para crescer com equilíbrio, tecnologia e planejamento.

No entanto, historicamente, o estado tem avançado aquém do seu potencial. Parte desse cenário se explica por decisões políticas que, ao longo de diferentes gestões — de Eduardo Braga a Omar Aziz, chegando ao atual governo de Wilson Lima — não priorizaram de forma consistente uma política estruturante de produção de alimentos.

Além disso, é necessário abrir um debate sério sobre o papel de organizações não governamentais no estado. A cooperação institucional é legítima e pode ser positiva, mas não pode se sobrepor ao interesse estratégico da população amazonense, especialmente quando envolve desenvolvimento econômico, geração de renda e combate à pobreza.

Se o Amazonas não assumir o protagonismo sobre sua própria produção, continuará dependente, com custos elevados e oportunidades desperdiçadas. Pior: seguirá convivendo com a contradição de ser um estado rico em recursos naturais, mas com grande parte da sua população enfrentando dificuldades básicas.

Essa realidade precisa ser enfrentada com urgência, planejamento e coragem política. O Amazonas tem condições de avançar — o que falta é transformar potencial em prioridade concreta.

THOMAZ RURAL

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