Se não beneficiarmos, continuaremos perdendo. Minha sugestão…

Opinião/Informação:

Essa imagem retrata uma realidade antiga e repetida no interior do Amazonas: produção farta, trabalho duro e renda baixa. Em determinados períodos do ano, a oferta de abóbora é tão grande que o mercado não absorve. O preço despenca, o produtor se desanima e parte da produção se perde. É alimento jogado fora e dinheiro que deixa de circular nas comunidades rurais, as mesmas que preservam o verde ao mundo.

Há décadas defendo uma solução simples e estratégica: a criação de centrais de beneficiamento da produção em Manaus e em polos regionais do estado. Estruturas públicas ou em parceria capazes de transformar excedentes em produtos com maior valor agregado e maior tempo de prateleira.

Da abóbora, por exemplo, podem sair purês, sopas prontas, doces, compotas, chips desidratados, farinha e até polpas congeladas para merenda escolar e programas sociais. O mesmo raciocínio vale para outros produtos abundantes do interior. A banana pode virar farinha, doce em pasta, banana-passa, chips e base para panificação. A melancia pode ser transformada em sucos, polpas, doces e até aproveitamento da casca em conservas. O leite pode gerar queijos regionais, manteiga, doce de leite e iogurtes. A macaxeira, que hoje muitas vezes é vendida in natura a preço baixo, pode se tornar farinha padronizada, tapioca pronta, goma, chips, fécula e produtos congelados.

Beneficiar é agregar valor, reduzir perdas e estabilizar renda. É também abrir portas para novos mercados, inclusive institucionais, como merenda escolar, hospitais e programas sociais. Além disso, amplia o tempo de conservação, diminui a pressão por venda imediata e fortalece a organização dos produtores.

O Amazonas não pode continuar perdendo o pouco que produz. Com planejamento, infraestrutura e visão de longo prazo, é possível transformar excedentes em oportunidade. Valorizar o que o interior produz não é gasto: é investimento direto na economia, na segurança alimentar e na dignidade de quem vive do campo.

Essas imagens recebi da Monica Waleska, são fotos de Anori, onde aparece meu amigo Grijó.

THOMAZ RURAL

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Um comentário sobre “Se não beneficiarmos, continuaremos perdendo. Minha sugestão…

  • Meu amigo, estive uma vez em uma reunião de psicultores, que por sinal não é minha área. Da reunião participava um fabricante de ração que expôs a capacidade de produzir a partir de qualquer produto alimentício. Após a exposição, pela qual estranhamente não vi nenhum interesse dos produtores, conversei com o palestrante. Falei das enormes safras de abóbora quase sempre perdida por falta comprador, se era possível utilizar abóbora na raça para peixe. Ele respondeu positivamente, bastava saber os nutrientes e fazer o balanceamento com outros insumos. Há pouco tempo, vi um vídeo em que alguém fazia farinha de abóbora. Então lembrei desta antiga conversa, que já faz mais de 10 anos. Sempre as empresas procuram inovar. Se as nossas, até por serem médias e pequenas, não tem condições, o estado, que é cheio órgãos com funcionários que não se sabe o que fazem, poderia investir em pesquisa e desenvolvimento. Mas para isso, precisaríamos de governador, prefeitos, secretários das áreas específicas acreditarem na capacidade de nossos técnicos e produtores. Como não temos e também não temos a capacidade de exigir, só nos resta continuar com esses mimimi e chororô.

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