Opinião/Informação:
Ao longo da minha vida profissional, participei de centenas de eventos, seminários e projetos que prometiam melhorar a vida do manejador e das populações que vivem da floresta. Em praticamente todos eles, havia ONGs no centro da execução, quase sempre acompanhadas da cooperação alemã (GIZ/GTZ), da USAID e de outros organismos internacionais.
O roteiro é sempre o mesmo. Técnicos, consultores e acadêmicos estrangeiros se dizem “impressionados”, recolhem dados, fotografam, fazem diagnósticos detalhados e produzem relatórios sofisticados. Cheguei, inclusive, a apresentar imagens e relatos em eventos no Rio de Janeiro para doutores vindos da Alemanha.
Mas a foto divulgada agora, em 28/12, escancara uma verdade incômoda: todo esse aparato não passa de um grande teatro, com outros fins. É a repetição de um modelo que se vende como “inovador”, “tecnológico” e “transformador”, mas que não altera em absolutamente nada a realidade de quem vive da floresta.
A chamada “tecnologia social” implantada por ONGs e pela cooperação alemã não muda estruturas, não gera autonomia econômica, não cria cadeias produtivas sólidas. O que ela faz é perpetuar projetos, eventos, oficinas, consultorias e novas captações de recursos. O dinheiro entra, os eventos acontecem, os relatórios são entregues — e o dinheiro some.
Enquanto isso, na ponta, o caboclo continua carregando pirarucu nas costas, enfrentando logística precária, atravessadores, ausência de política pública estruturante e remuneração indigna. Décadas se passam e o discurso é o mesmo, os slogans mudam, mas a pobreza permanece.
Por um período, confesso, acreditei que o modelo fosse sério. Hoje, a realidade mostra que não é. Se fosse, os resultados já estariam visíveis no território. Desenvolvimento de verdade não se faz com PowerPoint, nem com eventos internacionais, mas com política pública, ATER forte, Estado presente e planejamento — como o Zoneamento Ecológico-Econômico, que curiosamente nunca é prioridade nesses projetos.
Se governadores se calam, se parlamentares se calam, eu não me calarei neste espaço. Porque denunciar a ineficiência de um modelo que consome milhões e mantém o povo pobre não é radicalismo — é responsabilidade.
THOMAZ RURAL




2 comentários sobre “Esse é o resultado de 30 anos de atuação da cooperação alemã (GIZ/GTZ). Acorda Amazonas!”
Concordo plenamente com você e vejo pouco reconhecimento de apoio a você por parte dos interessados pelo desenvolvimento do agro no nosso estado no que se diz respeito manifestação e apoio às suas matérias publicadas precisamos de muito mais apoio
Essa é a verdade nua e crua, as ONGS vem, fazem seus diagnósticos, relatórios, prometem melhorias e nada acontece de bom para mudar a vida do homem da Amazônia, falta de dinheiro não é, estamos cansados de servir de trouxa pra ONG.