Opinião/Informação:
As emendas parlamentares deixaram de ser um instrumento legítimo de participação no orçamento para se transformar no maior mecanismo de barganha política do país. O que deveria corrigir distorções virou um sistema bilionário de pressão sobre o Executivo, loteamento de verbas e uma porta aberta para irregularidades. Entre emendas individuais, de bancada, de comissão e o já conhecido “orçamento secreto”, o fato é um só: as emendas dominam o processo decisório, engessam o orçamento e alimentam a velha política do toma-lá-dá-cá. Enquanto isso, serviços essenciais continuam subfinanciados, obras param, prioridades nacionais se perdem, e bilhões seguem pulverizados em pequenos acordos que servem mais a projetos eleitorais do que ao interesse público. Em democracias consolidadas — como Canadá, Austrália e grande parte da Europa — parlamentares não têm poder para direcionar recursos para obras específicas, justamente para evitar o que aqui virou rotina: influência indevida, troca política e suspeitas constantes de corrupção. O STF determinou investigação sobre 964 emendas individuais que somam R$ 694 milhões, após auditorias encontrarem irregularidades em grande parte dos repasses. Pesquisas mostram que 82% dos brasileiros acreditam que emendas acabam envolvidas em corrupção — percepção que não surge por acaso. O Brasil precisa escolher: continuar alimentando um modelo que concentra poder, esvazia a transparência e distorce políticas públicas, ou reformar profundamente esse sistema antes que ele engula de vez o próprio Estado. Porque, do jeito que está, não há meio-termo: ou acabam com as emendas, ou as emendas acabam com o Brasil.
Mais uma vez o brilhante cartunista, jornalista Myrria, capta o que vem acontecendo no Brasil. Também quero deixar claro que existem exceções.
THOMAZ RURAL



