Opinião/Informação:
A matéria recente da Folha de S.Paulo (UOL) sobre o contrato de crédito de carbono no Amazonas assinado na COP30 é mais do que uma notícia: é a crônica de um desastre anunciado e uma vergonha para a gestão ambiental da SEMA jogada no colo do governador Wilson Lima. Ver o nome do apresentador Luciano Huck como sócio minoritário da empresa beneficiada, a Future Climate, apenas dá um rosto famoso ao que já se desenhava nos bastidores. É o tal “crédito de carbono” que, na prática, o caboclo, o ribeirinho, o verdadeiro guardião da floresta, não vai ver nem de luneta.
Não sou contra, e nunca fui, o mecanismo de crédito de carbono. Ele é, em tese, uma ferramenta vital. O que não pode continuar é a forma como ele está sendo tocado no Amazonas.
Ainda bem que o Ministério Público Federal (MPF) já está de olho, e a reportagem confirma isso. O MPF contesta o projeto justamente pelo motivo mais óbvio: a falta de consulta às comunidades. Foi pedido a suspensão do projeto por violação da convenção 169 da OIT, que exige consulta prévia, livre e informada. Ou seja, atropelaram o direito de quem vive lá.
Mas é preciso dizer que essa matéria da Folha mostra apenas a ponta do iceberg. Tem muito mais coisa errada nesse processo. O MPF-AM também está atento ao controverso Projeto Mejuruá e às articulações de membros da ONG FAS por lá. O que já vem acontecendo em Carauari é um precedente que todos deveriam estudar para entender o que está em jogo.
Será que o Luciano Huck sabe onde está pisando? Seria bom ele ler não só essa matéria, mas investigar o que acontece em Carauari.
Não acredito que os órgãos de controle vão deixar passar mais essa oportunidade. Não podemos permitir que usem a floresta para beneficiar quem não precisa, enquanto o povo que a manteve em pé continua esquecido. As pessoas de bem do Amazonas precisam saber onde estão pisando quando o assunto é “crédito de carbono”. Eu estou avisando!
Veja a íntegra da matéria…
THOMAZ RURAL


