É lá no Pará… e aqui no Amazonas. Que coisa feia, usando o caboclo…

Opinião/Informação:

É lá no Pará… e aqui no Amazonas. E do jeito que vai, quem vai ficar de fora dos bilhões do carbono é justamente quem preservou.

Felizmente, no Amazonas, o Ministério Público Federal (MPF-AM) já começou a agir. Recentemente, divulgou uma recomendação oficial sobre o Projeto de Carbono MEJURUÁ, em Carauari, apontando irregularidades graves. O documento cita nomes ligados à ONG FAS, menciona a participação da empresa BR ARBO e levanta questionamentos sobre o papel da certificadora envolvida no processo. Trata-se de um alerta sério, que expõe falhas estruturais em um modelo que deveria beneficiar quem vive e preserva a floresta — e não intermediários e atravessadores.

Agora vejo que, no Pará, a situação segue pelo mesmo caminho. Por isso, tenho reiterado ao governador Wilson Lima a urgência de mudanças profundas na gestão ambiental pública do Amazonas. Além do desgaste político-eleitoral causado por travas burocráticas, agora enfrentamos um cenário que já envolve diretamente o MPF, o Ministério Público de Contas (MPC) e diversas ONGs.

Em resumo: o caboclo não consegue produzir por conta de amarras ambientais, burocracias e falta de apoio. E o tão prometido dinheiro dos créditos de carbono — que seria um novo ciclo econômico para quem vive da floresta — já aparece manchado por suspeitas e escândalos.

O mais revoltante é que, se nada mudar, quem mais preservou será o último a receber. São menos de mil CARs analisados no estado, produtores sem acesso a crédito, licenças ambientais que não saem, e até agora nenhum centavo de crédito de carbono ou REDD+ no bolso das famílias da floresta.

Hoje, o único governador que ainda tem tempo e legitimidade para romper com esse ciclo de omissão e ineficiência é Wilson Lima. Nem Eduardo Braga, nem Omar Aziz, nem José Melo tiveram coragem de fazer as reformas necessárias — e todos enfrentaram sérios desgastes nas urnas. Não acredito que Wilson deseje o mesmo destino.

Não estou defendendo desmatamento nem ilegalidade, defendo agilidade nos 20% permitidos pelo código florestal. O que não dá é continuar vendo o sacrifício de quem quer produzir e preservar sendo ignorado.

O Amazonas precisa sair da retórica e entrar na prática. Não dá mais para romantizar a floresta enquanto quem vive nela continua à margem.

É bom ressaltar que a ONG FAS também tem parceria com o governo do Pará, justamente com o recurso do banco alemão KFW.

THOMAZ RURAL

Participe do nosso grupo no Whatsapp e seja o primeiro a receber as notícias do blog ThomazRural!

Um comentário sobre “É lá no Pará… e aqui no Amazonas. Que coisa feia, usando o caboclo…

  • Crédito diz carbono é para espertalhão, se não deixar nada para quem mora na mata! É para inglês ver sem compromisso com o interior. E, no final, o carbono não influencia em nada o clima global!

    Resposta

Deixe um comentário para Stefan Friedrich Keppler Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Participe do nosso grupo no Whatsapp e seja o primeiro a receber as notícias do blog ThomazRural!