Ciência da EMBRAPA permite pecuária com retorno ambiental e econômico no AM

A baixa disponibilidade de alimento para o rebanho nos períodos mais secos no Amazonas, de junho a setembro, é uma dificuldade enfrentada anualmente por muitos pecuaristas. Produzir e armazenar alimento volumoso para alimentação do gado no período seco é uma saída para melhorar o desempenho produtivo da pecuária no estado. Essa foi uma das informações destacadas durante Dia de Campo sobre Tecnologias para Produção Pecuária Sustentável no Amazonas, promovido pela Embrapa Amazônia Ocidental em parceria com a Secretaria Municipal de Produção Rural e Abastecimento (Sempra) de Manacapuru. 

Manejo de pastagens, melhoramento genético, sanidade animal, implantação de capineira e produção de silagem foram os temas abordados no Dia de Campo, ocorrido na sexta-feira 7 de junho, na fazenda Rancho Paraíso da Genética,  km 72 da Rodovia AM-070, em Manacapuru (AM), que reuniu cerca de 140 pessoas, entre técnicos agropecuários, produtores rurais, estudantes, professores e profissionais do setor agropecuário.

“A pecuária é um ativo importante para a economia do Amazonas e do Brasil, e a Embrapa e parceiros como universidades e instituições de pesquisa têm desenvolvido diversas tecnologias que permitem que o pecuarista explore a atividade de forma sustentável,  com retorno econômico”, explicou o  chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Amazônia Ocidental, pesquisador Luiz Antônio Cruz, acrescentando que o objetivo do Dia de Campo é apresentar ao produtor pecuarista essas tecnologias que podem melhorar a sustentabilidade da pecuária no estado e mostrar que é possível recuperar áreas degradadas, torná-las produtivas, diminuindo emissões de gases de efeito estufa.

Silagem – O pesquisador da Embrapa Amazônia Ocidental, Jeferson Macêdo, explicou sobre implantação de capineira e produção de silagem, que são principais alternativas para a suplementação na alimentação do rebanho. Macêdo comenta que no Amazonas, na época mais chuvosa do ano, as pastagens apresentam elevada produção de massa de forragem, no entanto, na época seca, que pode variar de três a cinco meses, a produção das forrageiras diminui drasticamente, tornando-se necessária a suplementação volumosa para manter a nutrição adequada e para amenizar o déficit nutricional do rebanho neste período de escassez. Ele demonstrou a técnica de silagem, como deve ser feito o corte no capim e o armazenamento. Disse que a Embrapa avaliou cinco variedades de capim-elefante no município de Parintins (AM), e os que apresentaram melhor rendimento em produção de matéria seca foi o BRS-Capiaçu seguido do BRS-Canará. A vantagem do BRS-Capiaçu, capim desenvolvido pela Embrapa Gado de Leite (MG), é a versatilidade em se adaptar aos diferentes tipos de solo e tolerar as variações climáticas, diminuindo os riscos na alimentação do rebanho. “Seu grande diferencial é a alta produtividade de biomassa, quando bem manejado, produz cerca de 50 toneladas de matéria seca por hectare ao ano”, comentou. A silagem, conforme o pesquisador, é uma tecnologia simples e pode ser adotada por qualquer produtor.

Recuperação – Na estação sobre recuperação e manejo de pastagem, o técnico Vanderlei Tavares, abordou sobre recuperação de solo, proteção de nascentes e preservação ambiental como fatores associados ao cultivo das pastagens. O técnico explica que é possível recuperar as pastagens com dois a três anos tendo bons resultados. “Na verdade, o primeiro ano você começa a trabalhar o solo, essa recuperação acontece de forma lenta inicialmente, mas depois ela ganha ali uma certa velocidade, onde você consegue ter um resultado que vai te manter na propriedade com um lucro bem significativo”, disse Tavares.

O secretário Municipal de Produção Rural e Abastecimento de Manacapuru, Romualdo Ramos, deu ênfase ao reaproveitamento de áreas degradadas para utilização na pecuária, programa que está sendo realizado no município em parceria com a Embrapa e já envolve oito propriedades pecuaristas no município. “Aqui foram colocadas tecnologias em áreas degradadas, então isto prova que para fazer pecuária no estado do Amazonas nós não necessitamos avançar em novas áreas, desmatar, basta trabalhar o que já está degradado, recupera-se, planta-se e ela se torna tão boa quanto antes”, comentou.

A propriedade onde foi realizado o Dia de Campo é uma das que adota essas tecnologias. De acordo com o proprietário Ilson Nunes, que também foi palestrante no evento, todas as tecnologias precisam estar integradas, além da genética para a produção de animais de boa qualidade, também é necessário a alimentação, o manejo e a rotação de pastagens. “É possível colocar até sete animais por hectare, mas assim, em um pasto rotacionado, bem manejado, bem adubado, feito uma análise de solo para saber o que é que é a necessidade que ele está precisando”, comentou.

Outro tema abordado nas estações foi Sanidade animal, apresentado por Emílio Afonso, da Agência de Defesa Agropecuária e Florestal Amazonas (Adaf), que expôs sobre as ações relacionadas ao manejo sanitário do rebanho, que envolve desde a alimentação, higienização das instalações, controle de doenças, e outros cuidados preventivos na propriedade para se obter produtividade com custo de produção reduzido.

O pecuarista Muni Lourenço, e presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas (FAEA) e do Serviço de Aprendizagem Rural (Senar-AM) , presente no Dia de Campo, considerou que as informações apresentadas são de fundamental importância. “Esses conhecimentos são decisivos para que nós possamos ter esse salto tecnológico, na pecuária do estado Amazonas”, disse,  “nós estamos no coração da Amazônia e precisamos ter uma pecuária sustentável em conciliação com o meio ambiente, com melhoria de eficiência técnica, econômica e de sustentabilidade ambiental, precisamos aumentar a rentabilidade do pecuarista amazonense e diminuir o impacto da atividade no meio ambiente”, comentou.

Entre o público participante estavam turma de alunos de ciências agrárias da Universidade Federal do Amazonas e da Universidade Nilton Lins, técnicos de extensão rural do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário do Amazonas (Idam) e do Senar de vários municípios, além de produtores rurais.

O Dia de Campo Pecuária Sustentável foi concluído com a demonstração de inovações em produção e conservação de forragens de alta qualidade, na fazenda Nilton Lins, no km 69, da rodovia Manuel Urbano.

Síglia Souza e Maria José Tupinambá (MTb 66/AM – DRT/AM 114/AM)
Embrapa Amazônia Ocidental

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