Jornal do Commercio destaca as atividades do empreendedor Idelfonso Galvão

Autazes é um dos grandes produtores de castanha e cupuaçu, no Amazonas, mas foi preciso algumas décadas para o empreendedor Idelfonso Pereira Galvão perceber isso. Nascido em Autazes, ele morou 40 anos em Manaus até voltar, em 2023, para o terreno onde vivem vários de seus familiares, e criar a Nutritiva, empresa familiar que está explorando, artesanalmente, castanha torrada, castanha moída, farinha de castanha, polpa e doce de cupuaçu.

“Meu bisavô Euvino, chegou a Autazes, em 1900, vindo de Baturité, no Ceará. Aqui ele tomou posse de uma grande área de terras devolutas, hoje lago do Miguel, ricas em seringueiras. Possivelmente tenha ouvido falar, lá no Nordeste, das riquezas que os seringais da Amazônia produziam, e realmente ganhou muito dinheiro aqui. Também criou gado, cultivou plantas, colheu castanhas, retirou madeira, e comercializou peixes”, contou Idelfonso.

Em Autazes, em 1900 mesmo, nasceu Eloi, avô de Idelfonso e Silvestre, seu pai, em 1939. Junto com seus descendentes foram vivendo nas terras de Euvino, que faleceu em 1963. Hoje as terras estão divididas entre netos, bisnetos, trinetos e tetranetos.

“Meu bisavô era devoto do Divino Espírito Santo, mandou construir uma capela na fazenda e costumava dar festa para seus empregados, na data do Divino, o que demonstra que ele prosperou. Tudo isso está em documentos da família”, disse.

Ano passado, conversando com uma amiga nutricionista, ela deu a ideia a Idelfonso de produzir doces de cupuaçu. Em agosto ele resolveu voltar a Autazes e colocar em prática a ideia da amiga.

“As terras aqui são ricas em castanheiras e cupuaçuzeiros. Meu pai, hoje com 85, já os explorava desde 1957, quando estava com 18 anos, mas hoje, devido a idade, se aposentou, e eu resolvi assumir”, revelou.

Chocolate de cupuaçu

Em fevereiro deste ano, Idelfonso começou a beneficiar as castanhas e o cupuaçu, ensacando-as em tamanhos que variam de 50g a 1kg.

“O terreno está ocupado por parentes, cada um com seu pedaço, e na minha área eu montei uma fabriqueta na minha própria casa. Para atender a demanda, compro a produção deles”, falou.           

 Idelfonso, “as terras aqui são ricas em castanheiras e cupuaçuzeiros. Meu pai já os explorava desde 1957″

“Torro a castanha porque assim ela dura mais tempo, já a castanha moída pode ser usada na goma da tapioca, em bolos, e onde mais se quiser. A farinha de castanha pode substituir a farinha de mandioca, e é até mais saudável”, informou.

O cupuaçu está sendo disponibilizado de duas formas: a polpa, in natura; e o doce.

“Um grande desperdício que existia aqui é que o pessoal despolpava os caroços de cupuaçu e os jogava fora sem sequer imaginar que esses caroços poderiam ser transformados em chocolate, com a mesma qualidade dos caroços de cacau. Também estou adquirindo esses caroços, além dos da minha produção e, em breve, pretendo lançar o chocolate Nutritiva”, adiantou.

Idelfonso recordou que o auge da produção de cupuaçu ocorreu na década de 1980, quando os produtores do lago do Miguel chegavam a extrair 42 toneladas/ano, de polpa. Hoje, devido à praga da vassoura de bruxa, a produção caiu para, em média, 12 toneladas/ano. Quanto às castanheiras, eram nativas e um dia abundaram na região, mas por causa das queimadas feitas pelos produtores em suas roças, muitas morreram e foram derrubadas e outras, que resistiram ao fogo, simplesmente pararam de produzir por não terem mais o adubo natural da folhagem à sua volta.

“Desde outubro passado estou plantando mandioca, uma cultura que ainda não tinha no meu terreno. O objetivo é produzir a farinha Nutritiva”, finalizou.

Toneladas de cupuaçu

No Amazonas, mais de quatro mil produtores cultivam o cupuaçu, com destaque para Presidente Figueiredo, Novo Remanso e Autazes, segundo dados do Idam (Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas). Em 2023, aproximadamente 4.090 mil produtores se dedicaram ao cultivo do cupuaçu. A safra total dessa produção alcançou 4.845.750 unidades. Presidente Figueiredo se mantém como maior produtor, cultivando cerca de 648.000 mil unidades da fruta. Logo em seguida, a comunidade de Novo Remanso, no distrito de Itacoatiara, contribuiu com um total de 592.000 mil unidades dos frutos. Autazes também teve uma produção significativa, cultivando aproximadamente 496.000 mil unidades.

Castanheiras para reflorestar

Em janeiro do ano passado o Idam distribuiu mais de 50 mil mudas de castanheiras-do-Brasil para produtores rurais de 15 municípios, através do Projeto Excelsa, em parceria com o Instituto Excelsa, visando o reflorestamento de áreas degradadas do Estado. Na ocasião, 11 mil mudas foram enviadas para os municípios de Canutama, Anori e Autazes. Ao todo, 352 produtores familiares foram beneficiados com a distribuição das mudas. Em 2022, o projeto favoreceu 790 famílias, de 11 municípios, com a doação de 70 mil mudas. O Amazonas possui cinco usinas de beneficiamento de castanha nos municípios de Manicoré, Lábrea, Beruri, Amaturá e Barcelos, todas geridas por associações ou cooperativas, com mais de 4,5 mil produtores familiares assistidos pelo Idam.

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Evaldo Ferreira

é repórter do Jornal do Commercio

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