É triste ver esse VERMELHO na renda do manejador/pescador tendo R$ 42 milhões disponíveis. Será que agora vão entender minha indignação?

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Vou tentar ser mais claro!

Este print é de hoje do site da CONAB. É o preço que está sendo pago ao manejador do pirarucu, que está no VERMELHO, significando que o pescador manejador (muitos indígenas e de povos e comunidades tradicionais) estão recebendo abaixo do CUSTO DE PRODUÇÃO. Repito, falei CUSTO DE PRODUÇÃO, pois até hoje não tive apoio formal de entidades, de ONGs, na minha luta para a PGPMBio incluir um plus adicional de serviços ambientais nessa política.

Em síntese, a PGPMBio tem 42 milhões de orçamento, e os manejadores estão recebendo abaixo do custo de produção pelo PIRARUCU que compramos e comemos. E tem mais, pela demora na chegada da documentação na Conab, muitos deixaram de receber a subvenção federal em 2021. Pelo que sei, mais de um milhão para povos e comunidades tradicionais.

Portanto, não é justo deixar de fora de eventos essa política que tem recurso e totalmente ligada à sociobiodiversidade.

Querer inventar a roda, deixando de fazer o feijão com arroz com uma simples nota fiscal e a DAP física ou jurídica para levar renda ao extrativista me incomoda há bastante tempo.

Que o FUNDO AMAZÔNIA venha para colocar recurso direto na conta do extrativista, sua associação e cooperativa, sem intermediários.

Pois o método usado no passado com o FUNDO AMAZÔNIA não aumentou um centavo no BOLSO FLORESTA (50 reais por 15 anos, e ninguém falou nada, tudo caladinho) e ainda deixou o Amazonas com 52% da população na miséria. Isso também prova que o modelo PIM/ZFM não interioriza o desenvolvimento.

Então, tem que ficar de olho no direcionamento desse FUNDO AMAZÔNIA para que vá direto ao defensor da floresta, quem nela e dela vive. E tem mais, os povos e comunidades tradicionais não tem acesso ao PRONAF, nem os agroecológicos (vou mostrar os números em outra postagem).

É muito bom comer um pirarucu, mas deixar de defender renda digna a esse manejador que coloca esse delicioso produto em nossa mesa entendo que não é legal, não é justo. Aliás, me dói ver isso, porque fui EU que lutei pela inclusão desse pirarucu de manejo da PGPMBio.

Depois que a gente fizer esse “feijão com arroz” vamos pensar em outros tipos de negócios, de comercialização, pois esse é o mais simples, e tá no vermelho.

Outro detalhe, precisamos saber, é preciso transparência, para sabermos quanto as indústrias que compram nossos produtos estão pagando aos povos e comunidades tradicionais, e como acontece esse pagamento. A SEFAZ bem que poderia dar acesso a esses valores já que não sabemos por outros meios, por outros canais. Tinha curiosidade em saber se o valor pago é compatível com a propagando que eles fazem em seus produtos com a marca da AMAZÔNIA, do AMAZONAS. Será que o Pronaf entrou em pauta no encontro do IDESAM? Nosso acesso é baixo desde o governo do FHC…então, não vamos culpar governo A ou B, a culpa é nossa em não admitir que deixamos de fazer o dever de casa.

Tem mais um detalhe: pirarucu é orgânico, e o manejador não recebe como tal. Será que isso entrou em pauta? Sei que já tramita no MAPA, mas será que foi lembrado.

Dei exemplo do pirarucu, mas poderia dar outros da PGMBio.

THOMAZ RURAL

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